Quais são as cidades mais caras do mundo? Paris lidera, Caracas no fim

Europa e Ásia dominam as dez primeiras posições do ranking Worldwide Cost of Living, para onde entraram duas cidades norte-americanas e uma do Médio Oriente. Lisboa aparece na segunda metade da tabela. A crise na Venezuela atirou Caracas para o fundo da lista

Em Seul, um quilo de pão custa quase 14 euros. Uma garrafa de cerveja custa, em média, três euros em Nova Iorque, cidade onde um fato de homem ronda os 2400 euros e uma mulher que queira cortar o cabelo pode contar com uma fatura na ordem dos 185 euros. Estes foram alguns dos recordes de preços entre 160 produtos e serviços analisados no Worldwide Cost of Living 2019, o relatório do Economist sobre as cidades com o custo de vida mais caro. Uma lista liderada por duas cidades asiáticas e um europeia: Singapura, Hong Kong e Paris. Lisboa aparece na segunda metade da tabela, no 82º lugar.

Esta é mesmo a primeira vez que três cidades partilham o título de mais cara do mundo, sendo que Singapura é a única que mantém a mesma posição do ano passado. As primeiras posições são repartidas entre a Ásia e a Europa: Zurique (4º lugar), Genebra (5ª) e Copenhaga (7ª) completam o lote europeu no top 10, com a particularidade de nenhuma destas cidades fazer parte da zona euro (a Suíça não faz mesmo parte da União Europeia). Osaka, no Japão, e Seul, a capital sul-coreana, são as outras representantes asiáticas na lista dos dez mais, que é encerrada por duas cidades norte-americanas - Nova Iorque e Los Angeles - e uma surpresa vinda do Médio Oriente: Telavive, cidade israelita que há cinco anos estava na 28ª posição.

Lisboa aparece a par de Praga, a capital checa, na 82º posição, logo atrás de Atenas. Curiosamente, Londres não aparece nas vinte primeiras posições (está em 22º lugar), atrás, por exemplo, de Dublin (19ª), enquanto Manchester aparece na 51ª posição, reflexo da instabilidade causada pelo Brexit e do enfraquecimento da libra.

"As cidades europeias tendem a apresentar os custos mais elevados com habitação, cuidados pessoais e nas categorias de recreação e entretenimento"


O ranking analisa os preços de serviços e produtos, como habitação, transportes ou do pão, em 133 cidades, tendo como referência o custo de vida em Nova Iorque. Paris, cidade que desde o final de 2018 tem sido varrida por protestos dos 'coletes amarelos' precisamente contra o aumento dos preços, chegou ao topo da lista, embora ocupe o top 10 das cidades mais caras desde 2003. "Só o álcool, os transportes e o tabaco têm aí valores comparáveis com outras cidades europeias", sublinha Roxana Slavcheva, autora do estudo.

Por exemplo, um corte de cabelo feminino custa, em média, 105 euros na capital francesa, enquanto ronda os 65 euros em Zurique e os 80 em Genebra. No entanto, se formos até à Dinamarca, os gastos num cabeleireiro em Copenhaga já sobem para os 155 euros.

"As cidades europeias tendem a apresentar os custos mais elevados com habitação, cuidados pessoais e nas categorias de recreação e entretenimento - e Paris é um bom exemplo nestas categorias -, provavelmente refletindo preços mais altos sobre gastos discricionários", explica o sumário que serve de apresentação ao relatório. Uma introdução onde não é detalhada informação sobre cidades portuguesas.

Caracas no fundo da tabela

Este ano, o título de cidade menos cara do mundo vai para Caracas. Apesar de o governo venezuelano ter tentado no ano passado desvalorizar taxas para reduzir a pressão cambial, uma inflação galopante, com a quebra de serviços públicos e o recurso ao mercado negro e até a trocas diretas, justificam este resultado. A capital da Venezuela vive nesta altura uma acentuada crise política - com a luta pelo poder entre Nicolás Maduro e Juan Guaidó - e económica, a que juntou um apagão elétrico de uma semana. Damasco, a capital Síria, e Tachkent, no Uzbequistão, são as outras cidades que completam o top 3 das menos caras.

A subida do dólar fez com que muitas cidades dos EUA dessem verdadeiros saltos na tabela


As flutuações de moeda explicam as maiores oscilações no ranking. Por um lado, a subida do dólar fez com que muitas cidades dos EUA dessem verdadeiros saltos na tabela, subida indesejada pelos seus habitantes, que sentiram o aumento dos preços nas suas carteiras. Além de Nova Iorque e Los Angeles, o destaque vai para San Francisco (que subiu doze posições, do 37º para o 25º lugar), Houston (de 41º para 30º) e Minneapolis, que encerra o top 20.

Quem mais desceu no ranking com o fortalecimento da moeda americana, aliado a crises políticas e económicas internas, foram Istambul, na Turquia, e Buenos Aires, que caíram ambas 48 lugares na tabela do custo de vida, assim como São Paulo e o Rio de Janeiro, que estão fora das cem cidades mais caras. Em sentido inverso, as maiores subidas foram registadas na Nova Caledónia (Numeá subiu 33 posições) e na Bulgária (Sofia subiu 29 lugares, até à 90ª posição).

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