Presidente francês saúda Londres como o "berço da França Livre"

O Presidente francês, Emmanuel Macron, testemunhou esta quinta-feira o "reconhecimento infinito" e a "eterna gratidão" a Londres, "berço da França livre", numa visita à capital britânica para assinalar os 80 anos do apelo do general de Gaulle.

Macron chegou a Londres ao início da tarde e foi recebido pelo príncipe Carlos e a mulher deste, Camila, na residência em Clarence House, onde celebrou o conhecido apelo de Charles de Gaulle para a resistência ao regime nazi, que ocupou a França durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), feito em 1940 (há 80 anos).

O evento de hoje comemora o apelo feito por de Gaulle, através dos microfones da BBC, transmitido para França a 18 de junho de 1940, pedindo a todos os franceses para combaterem a invasão nazi alemã, num discurso visto como o momento que marca o início do nascimento da Resistência Francesa.

"Eu, general de Gaulle, atualmente em Londres, apelo a todos os oficiais e soldados franceses que se encontram em território britânico ou que possam chegar até aqui, com ou sem armas (...) que entrem em contacto comigo", disse então de Gaulle.

"Aconteça o que acontecer, a chama da resistência francesa não pode ser apagada nem será apagada", acrescentou, dirigindo-se também aos operários e engenheiros franceses para se juntarem à resistência na luta contra a Alemanha nazi, apesar do armistício assinado elo marechal Pétain.

Hoje, após depositar uma coroa de flores junto às estátuas do Rei Jorge VI e da rainha Isabel, e ainda à de de Gaulle, o Presidente de França ofereceu a "Legião de Honra" ao príncipe Carlos, "um testemunho do reconhecimento infinito da República Francesa".

"Chegado a Londres a 17 de junho", o general Charles de Gaulle "recebeu o apoio de [Winston] Churchill", então primeiro-ministro britânico, lembrou Macron.

O Presidente francês saudou, depois, a capital britânica, considerando-a "o berço da França Livre", o "último bastião de esperança num momento em que tudo parecia perdido".

Dirigindo-se ao príncipe Carlos, Macron lembrou que foi o Reino Unido que "liderou a libertação do mundo", ao lutar contra "a barbaridade dos nazis".

"O Reino Unido deu à França livre a sua primeira arma: o microfone da BBC", recordou.

O príncipe Carlos, por seu lado, aceitou a condecoração "em nome da cidade de Londres e do Reino Unido e de todos os que combateram pela liberdade ao lado da França".

Sublinhou o empenho dos dois países em trabalharem em conjunto "para defender" a liberdade, "o que é, para ambos os países, o mais caro".

"Renovamos os laços que nos unem e tornando o futuro esperançoso", afirmou o príncipe de Gales, que começou a frase em língua inglesa para a terminar na francesa.

Para o príncipe Carlos, "a determinação resoluta" de de Gaulle é um "exemplo" para se trabalhar em conjunto para fazer face aos novos desafios, destacando as alterações climáticas e a crise sanitária de covid-19, bem como as consequências económicas de ambas.

A 21 de dezembro de 1958, Charles de Gaulle foi eleito como o primeiro Presidente da V República Francesa, tendo sido reeleito, sete anos depois, em 1965, antes de deixar o poder em 1969 após o fracasso de um referendo.

Após a cerimónia, que decorreu sem público, Macron visita os locais e gabinetes que permitiram a De Gaulle trabalhar em Londres, antes de ser recebido pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Segundo "Downing Street", os dois líderes vão analisar a crise sanitária e as negociações sobre a relação futura entre o Reino Unido e a União Europeia (UE), sobretudo acelerar as conversações entre Londres e Bruxelas para que haja possibilidade de se chegar a um acordo antes do fim do período de transição para o "Brexit", que termina a 31 de dezembro.

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