Duterte admite "execuções extrajudiciais" como "seu único pecado"

As declarações de Rodrigo Duterte podem vir a ser usadas no Tribunal Penal Internacional, onde foram apresentadas duas queixas. Mortes fazem parte da sua campanha antidrogas.

O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, admitiu pela primeira vez "execuções extrajudiciais" durante seu mandato, num país que vive uma campanha antidrogas sangrenta e onde mais de 4800 suspeitos de consumo e tráfico de estupefacientes foram mortos.

"O meu único pecado são as execuções extrajudiciais", disse o Presidente na quinta-feira durante um discurso no Palácio Malacanan, de acordo com um comunicado enviado pelo gabinete presidencial.

As declarações do chefe de Estado filipino podem ser usadas no Tribunal Penal Internacional, que está a analisar duas denúncias apresentadas contra Duterte.

A "guerra às drogas" começou no dia em que Duterte tomou posse a 01 de julho de 2016 e dá à polícia a liberdade de atirar nos suspeitos que resistem à prisão.

De acordo com dados oficiais da Agência Antidrogas das Filipinas, um total de 4.854 suspeitos foram mortos em operações policiais e 155.193 foram detidos num total de 108.058 ações das forças de segurança em todo o país.

Organizações de direitos humanos, como a Human Right Watch ou a Amnistia Internacional, elevam o número de mortos para 15.000 devido ao clima de impunidade da campanha, que também inclui 'vigilantes' ou grupos de bairros armados.

Duterte foi acusado no passado de liderar "esquadrões da morte" durante o período em que foi presidente da câmara da cidade de Davao, no sul, na região de Mindanao.

No seu discurso de quinta-feira, o Presidente reiterou que as operações contra o narcotráfico vão continuar até 2022, ano em que o seu mandato termina.

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