"Precisamos de ajuda!" Rendas altas em Paris forçam fecho da mais famosa livraria gay

Os proprietários de uma das mais famosas livrarias LGBT do mundo têm até março para abandonar a loja onde estão alocados desde 1983. Mas não é caso único: o bairro gay de Marais está a mudar e a transformar-se num centro de lojas de luxo, alerta a comunidade local.

É uma sina à qual já poucos estabelecimentos parisienses conseguem fugir: o fecho de portas devido às rendas cada vez mais elevadas. A atual crise imobiliária da cidade não passa ao lado da livraria LGBT mais conhecida de França, considerada uma das melhores do mundo, Les Mots à La Bouche, forçada a fechar devido ao aumento da renda. "Património cultural em perigo", lê-se num cartaz pendurado na sua montra. E apelam, num outro colado à porta: "precisamos da sua ajuda!".

A livraria não é só uma das mais famosas do mundo para a comunidade LGBT, é já um ponto histórico no bairro gay de Paris, no distrito de Marais, segundo o The Guardian . Foi em 1983 que ali se instalou, prevendo uma vida longa num bairro onde efervescia uma vida diferente, mais aberta a esta comunidade. Cerca de 40 anos depois, chega a ordem de despejo: os proprietários têm até março deste ano para encontrarem uma nova morada.

"A autarquia de Paris promove uma história gay de Marais, e até pinta as paredes com arco-íris, mas não ter a nossa livraria aqui parece absurdo", comentou o gerente da livraria, Sébastien Grisez.

Este é apenas mais um dos vários casos de estabelecimentos comerciais que têm vindo a fechar nesta zona, ao mesmo passo que a especulação imobiliária ocupa a cidade de Paris. O proprietário lembra que "há dez anos havia muito mais bares gays aqui, agora restam apenas alguns".

Sébastien Grisez acredita que este é também um sinal de que "a sociologia gay está a mudar", uma vez que "as pessoas estão mais espalhadas", tendo "menos necessidade de se encontrarem em bares, quando podem encontrar-se em aplicações [de telemóvel]". "Mas ao mesmo tempo as pessoas lamentam que este ponto de encontro [a livraria] no bairro esteja a desaparecer", diz.

De acordo com o The Guardian, estima-se que haja mais alugueres na aplicação Airbnb do que residentes em Marais, em determinadas alturas do ano. E, de acordo com os funcionários do comércio antigo que ainda vai resistindo na zona, os bares e outros espaços que identificavam este como o bairro da comunidade LGBT estão a ser substituídos por lojas de moda de luxo. "O Marais gay está a morrer", disse uma funcionária de um cabaré, em entrevista ao jornal britânico.

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