Política de imigração de Theresa May comparada à dos nazis

Ex-chefe da casa civil real veio criticar política de primeira-ministra britânica

A ameaça de deportação que enfrentam os migrantes vindos das Caraíbas entre 1948 e 1971 e seus descendentes estão a colocar a primeira-ministra britânica debaixo de um fogo de críticas. Recordando os tempos em que Theresa May foi secretária de Estado da Administração interna (de 2010 a 2016) e mudou a lei da imigração, o ex-chefe da casa civil real Bob Kerslake comparou a sua política à do tempo dos nazis.

O ambiente de hostilidade, com a obrigação de todos os imigrantes de mostrar papéis para ter acesso a trabalho ou tratamentos médicos, faz com que Bob Kerslake diga que a política aplicada "quase que faz lembrar a da Alemanha nazi", noticia o The Guardian, citando as declarações feitas pelo próprio à BBC.

Bob Kerslake era funcionário sénior do Departamento de Comunidades e Governo Local até 2014, uma posição que o colocou no coração de Whitehall (a rua sede dos edifícios do governo de Londres). O responsável comentou a questão que está no centro desta polémica: a decisão de destruir milhares de cartões de embarque em 2010 dos milhares de migrantes que chegaram das Caraíbas e que o próprio na época defendeu que fossem entregues aos ministros. Agora muitos destes migrantes e os seus descendentes não têm como provar que chegaram legalmente ao Reino Unido e precisam de documentos para aceder a cuidados médicos ou trabalho.

Uma conselheira especial do partido Liberais Democratas (Lib Dem) na época em que se destruíram os documentos, Polly Mackenzie, publicou no Twitter uma crítica ao que classificou de "ambiente hostil" em relação aos migrantes que começou com um grupo inter-ministerial para discutir "o acesso de migrantes a benefícios e serviços públicos".

Entretanto Theresa May já pediu desculpa aos líderes dos países das Caraíbas, garantindo que as crianças de cidadãos da Commonwealth não vão ser deportados. Esta crise diz respeito a uma geração conhecida por Windrush, por ser este o nome do navio que trouxe os primeiros trabalhadores vindos da Jamaica, Trindade e Tobago e outras ilhas. A vinda destes migrantes servia para colmatar a falta de mão-de-obra no Reino Unido no pós-Segunda Guerra Mundial.

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