Polícia de Boston lançou alerta e mostra mais do que queria

Tweet da polícia estadual permite desvelar vigilância a movimentos de esquerda. Autoridades negam recolher informação sobre opiniões das pessoas

A polícia do Massachusetts partilhou um tweet onde mostrou mais do que queria - ou devia: marcadores de vários grupos de esquerda, passando a ideia de que há uma vigilância a estes movimentos ativistas, revelou este sábado o jornal britânico The Guardian.

Na quinta-feira à noite, no pico de várias explosões que estavam a acontecer na cidade de Boston, que afetaram cerca de oito mil pessoas e fizeram um morto, a polícia estatal colocou online um mapa de respostas aos incêndios e às explosões, com um alerta para os residentes de "Lawrence/Andover/N[orth] Andover", com instalações de gás de uma empresa, a Columbia Gas, abandonarem as suas casas e todos aqueles que cheirassem a gás. No mapa multiplicavam-se os pontos de emergência: 39 incidentes confirmados pelo MSP Watch Center.

Só que na hora de partilhar a imagem no Twitter, quem a copiou revelou mais do que o devido: no cimo do mapa estava a barra de favoritos, listando vários grupos de esquerda, chamando a atenção de jornalistas e dos próprios ativistas.

Na barra via-se um grupo do Facebook da Ação de Massas Contra a Brutalidade Policial (MAAPB); a Coligação para Organizar e Mobilizar Boston contra Trump (Combat); Facebook 413; Facebook MA Ativismo; e o Calendário de Resistência, que calendariza ações de prospeção de candidatos democratas ou progressistas e de manifestações anti-Trump.

A imagem foi partilhada na conta oficial do Twitter da polícia estadual pelas 18h18 (hora local), mas menos de meia hora depois foi apagada. A polícia voltou a partilhar uma imagem nova, com um mapa devidamente enquadrado e sem se ver a barra dos favoritos. Nas redes sociais estalou a polémica sobre a vigilância policial online.

Criado em 2005, o MSP Watch Centre é responsável pela recolha de informações, para facilitar o "levantamento, a análise e a disseminação de informação relevante sobre terrorismo e segurança pública". Existem mais de 100 desses centros em todos os Estados Unidos.

O diretor de comunicação da Polícia do Estado de Massachusetts, David Procopio, disse que ao Guardian que a polícia tem a "responsabilidade de saber sobre todas as grandes reuniões públicas de qualquer tipo e por qualquer grupo, independentemente de sua finalidade e posição". Mas, defendeu: "Não recolhemos informações sobre - nem, francamente, nos importamos com - as crenças ou opiniões de qualquer grupo."

Já Tom Arabia, cofundador do Combat, duvidou destas afirmações das autoridades: "Ninguém pode negar que a polícia estadual de Massachusetts está a vigiar as organizações de esquerda."

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