Podemos rejeita governo do PP e volta a estender a mão ao PSOE

Pablo Iglesias diz que o partido "tem os ouvidos abertos" a um contacto do PSOE

O líder do partido espanhol Podemos disse hoje ao rei que votará contra um governo do PP, mas voltou a manifestar a sua disponibilidade para escutar uma proposta do PSOE para formar um executivo alternativo de esquerda.

Pablo Iglesas afirmou que o Podemos (radical de esquerda) "tem os ouvidos abertos" a um contacto do PSOE, mas reconhece que será muito difícil que isso se produza e recordou que a opção já foi descartada várias vezes pelos socialistas.

"Nos últimos sete meses aprendi que no PSOE há muitos setores que não nos querem ver nem pintados e que preferem o PP", disse Pablo Iglesias aos jornalistas depois de se reunir com o rei, Felipe VI.

Para o líder do Podemos, só há duas opções para o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol): um acordo com o PP (Partido Popular, de direita) ou um acordo com o Podemos para formar um governo progressista.

"Ninguém duvida que o Podemos vai votar contra o PP, mas há duvidas sobre o que o PSOE vai fazer", sublinhou Iglesias.

O partido Ciudadanos foi o único até agora que manifestou a sua disposição em abster-se para deixar passar um governo liderado por Mariano Rajoy, mas isso não será suficiente se todas as outras forças políticas votarem contra Rajoy, como têm defendido até agora.

Depois de esta tarde terminar a ronda de conversações com todas as formações políticas do parlamento, Filipe VI convocará a presidente do Congresso, Ana Pastor, para a informar do resultado das consultas e, se tudo correr bem, apresentar a proposta de candidato a presidente do executivo.

O atual Congresso de Deputados foi formado na sequência das eleições de 26 de junho último, seis meses depois das eleições anteriores, de 20 de dezembro, em que os partidos políticos espanhóis não conseguiram formar um governo estável.

Nessa altura, Felipe VI fez três rondas de encontros com os partidos representados no parlamento para tentar encontrar uma solução para o impasse que se manteve até ao fim.

Todos os partidos defendem que não deve haver novamente eleições (pela terceira vez), mas a falta de uma maioria clara bloqueia a formação de um novo executivo.

O Partido Popular foi o mais votado nas eleições de 26 de junho e também o único que subiu em votantes e número de deputados, mas com os seus 137 lugares continua sem a maioria absoluta de 176 deputados num total de 350.

O PSOE ficou em segundo lugar, conquistando 85 lugares, enquanto a aliança Unidos-Podemos ficou em terceiro, com 71 deputados. A quarta formação mais votada foi o Ciudadanos, que alcançou 32 assentos.

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