68 páginas e 43 contas de apoio a Bolsonaro eliminadas pelo Facebook

Esta seria a maior rede de pró-Bolsonaro, seguida por mais de 16 milhões de utilizadores, e era gerida pelo grupo Raposo Fernandes Associados, conhecido por promover fake news.

Eram 68 páginas e 43 contas. Todas elas com discursos de apoio ao candidato presidencial brasileiro Jair Bolsonaro e todas elas também contas falsas criadas para enviar spam. Foram, esta segunda-feira, removidas pelo Facebook, que anunciou em comunicado oficial ter visto violadas as suas políticas de autenticidade.

De acordo com a nota da empresa, as páginas estavam sob o controlo de um grupo designado Raposo Fernandes Associados (RFA), que procurava cliques e visitas para sites externos à rede social através das publicações nestas contas. As páginas tinham então um número alargado de anúncios, conhecidas como "ad farms".

Uma reportagem divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo apontava esta rede como a maior rede pró-Bolsonaro, que garantiu 12,6 milhões de interações no Facebook, durante um mês, e era seguida por mais de 16 milhões de utilizadores da rede social. "Correio do Poder", "Movimento Contra Corrupção", "Folha Política" e "TV Revolta" são alguns exemplos das páginas mais populares.

A RFA, administrada pela empresa Novo Brasil Empreendimentos Digitais, promove notícias falsas e mensagens propagandísticas de apoio ao espetro conservador brasileiro, através de sites e páginas nas redes sociais.

Contudo, segundo o Facebook, mai do que pelo conteúdo publicado, a remoção das páginas e contas deveu-se ao "comportamento" adotado pelos utilizadores/promotores que usariam "contas falsas para os seus objetivos e repetidamente publicavam spam". A empresa criada por Mark Zuckerberg explica que a rede que geria estas publicações na rede social violou as suas regras de autenticidade e de spam por ter recorrido a contas falsas e duplicadas para o efeito.

A segunda volta das eleições presidenciais no Brasil decorre já no próximo domingo, dia 28 de outubro. Desde a primeira volta, que no início do mês deixou Bolsonaro a enfrentar Haddad (não venceu à primeira por uma unha negra), a campanha eleitoral no Brasil tem sido marcada por acusações, atos de violência e grandes manifestações pró e contra Bolsonaro. E com os movimentos #eleNão e #eleSim a incendiarem com os respetivos radicalismo e polémicas diárias a esfera digital.

Na semana passada, o rival de Jair Bolsonaro, Fernando Haddad, revelou que iria proceder à impugnação da candidatura do adversário. Em causa está a compra de pacotes de mensagens contra o PT, partido de Haddad, no Whatsapp e nas redes sociais, por parte de empresas brasileiras apoiantes de Bolsonaro. "Organização criminosa, caixa dois (não declaração dos gastos da campanha), calúnia, difamação e lavagem de dinheiro" são os cinco crimes pelos quais o líder do PT acusa o seu rival.

As sondagens mais recentes dão Bolsonaro como vencedor inquestionável na segunda volta de domingo, com mais 18 pontos do que o adversário do PT (59% contra 41% dos votos).

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