Os fatos de banho que são um desafio aos mais puritanos

Polémica com agentes da polícia que pediram a um grupo de mulheres em topless numa praia francesa para se cobrirem a pedido de uma família veio dar uma nova vida e nova fama aos biquínis da marca americana The Tata Top, cuja parte de cima simula uns mamilos.

Há uns anos, a marca americana The Tata Top tinha comercializado uma coleção de fatos de banho e biquínis inovadores: a parte de cima simulava que quem o usava estava nua. O objetivo era desafiar a política de redes sociais como o Facebook ou o Twitter que bloqueiam as contas de quem colocar uma imagem com os mamilos à mostra.

Estas partes de cima de biquíni, cor de pele e com os mamilos desenhados para darem um efeito "nu" estão agora de volta. Desta vez para desafiar os puritanos das praias, depois de uns agentes da polícia terem pedido a um grupo de mulheres que estava a fazer topless na praia para se cobrirem.

No dia 20 de agosto, agentes da polícia que patrulhavam a praia de Sainte-Marie-la-Mer, no Mediterrâneo, pediram a três mulheres que apanhavam sol em topless para se cobrirem, em resposta à queixa de uma família que se dizia incomodada por causa da presença de crianças, segundo indicou a polícia dos Pirenéus Orientais num comunicado no Facebook, já depois de a polémica estar lançada.

"Orientados pela preocupação de apaziguamento, os agentes perguntaram às interessadas se concordavam em cobrir o peito depois de terem explicado o sentido e a origem do pedido", acrescenta o texto, onde a polícia admite que as ações dos agentes pecaram pela "falta de jeito".

No texto deixam ainda claro que "não há nenhum decreto municipal que proíbe esta prática [de topless] na praia de Sainte-Marie-la-Mer".

Uma testemunha ouvida pela televisão pública France 3 contou: "Vimos dois gendarmes, um homem e uma mulher, que percorriam a praia e param a alguns metros de nós para falar com uma senhora de uns 60 anos. De onde estávamos não conseguimos ouvir o que diziam. Mas vimos a mulher ficar muito agitada quando eles foram embora e, visivelmente perturbada, começar a procurar a parte de cima do biquíni dentro do saco".

Estas ações desencadearam uma onda de críticas nas redes sociais, com várias pessoas a questionar se a prática era agora ilegal. E o ministro Interior francês,. Gérald Darmanin, veio defender o direito das mulheres a fazer topless nas praias do país. "Não há fundamento para as duas mulheres terem sido repreendidas pelo que vestiam na praia. A liberdade é um bem precioso. E é normal que a administração reconheça os seus erros", escreveu Darmanin no Twitter, partilhando a mensagem da porta-voz da Guarda Nacional que incluía um link para o comunicado oficial no Facebook.

A porta-voz reiterava: "Vocês vão ver-me sempre de uniforme, mas a prática de topless está autorizada na praia de Sainte-Marie-la Mer." E sublinha novamente a "falta de jeito" dos agentes que tinham as melhores intenções.

Fazer topless não é considerado exibição sexual em França, mas pode ser travado por diretivas municipais que podem proibir determinado tipo de comportamento. A prática está, contudo, a perder popularidade no país, com sondagens a mostrar que as mulheres mais jovens estão cada vez mais preocupadas com o assédio sexual ou em serem alvo de críticas por causa do seu corpo.

Menos de 20% das mulheres francesas com idade inferior a 50 anos dizem fazer topless, comparado com 28% há dez anos e 43% em 1984, segundo um estudo recente da Ifop que ouviu cerca de cinco mil europeias.

O mesmo estudo concluiu que 22% das francesas maiores de 18 anos fazem topless, frente a 48% das espanholas e 34% das alemãs. Britânicas (19%) e italianas (15%) ainda fazem menos do que as francesas, sendo certo que em todas as nacionalidades a percentagem está em queda.

Mas para quem tem dúvidas em mostrar o corpo, mas não quer deixar de desafiar as mentes mais puritanas, os biquínis da The Tata Top podem ser a solução, como aponta revista Marie France.

Por 29,50 euros, o top está à venda em várias cores para se adaptar a todos os tons de pele, mas também em vários formatos. No seu site, a marca americana orgulha-se de ter usado o seu combate pela liberdade das mulheres para apoiar causas que lhe são caras. Desde 2014, já doou mais de 40 mil dólares para associações de defesa das mulheres e também para o apoio a mulheres que sofreram de cancro da mama.

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