Os cafés de Bruxelas reabriram e houve uma corrida à cerveja

Menos empregados e mesas afastadas para garantir o distanciamento social, os bares e cafés da capital belga começaram a reabrir. E se a pandemia deixou marcas no país, o gosto pela cerveja, esse, parece intocado.

Após mais de três meses de confinamento, alguns bares de Bruxelas reabriram esta segunda-feira e os belgas estavam mais do que preparados. Mas no L'Union, um bar do bairro de St Gilles, tiveram de esperar algum tempo - e de dar espaço uns aos outros. Eram 9.30 quando o primeiro cliente pediu uma cerveja, mas ficou desiludido: "Ainda não temos cerveja. Não antes das 11.00".

Conformado diante de um chá verde, o cliente senta-se a contar os minutos. Mas o café, que como muitos na capital belga, deve 60% do seu lucro ao consumo de cerveja, mal pode esperar por voltar ao ativo e recuperar as perdas dos meses em que esteve encerrado.

Os clientes, esses estão a voltar. Casais, pequenos grupos de amigos, um velhote solitário, pessoas em teletrabalho com os seus computadores portáteis espalham-se pelas meses diante dos seus cafés, enquanto esperam pela hora da cerveja. "Estava um pouco preocupado antes", admite Bart Lemmens, de 58 anos, que há um quarto de século gere o bar de cadeiras desemparelhadas e balcão em metal. "Não somos um local gastronómico. Trabalhamos para criar uma atmosfera de convívio e tive medo que tivéssemos perdido isso. Mas o que é que aconteceu? Fomos invadidos!", brinca. Mas as coisas não são exatamente como eram antes. O número de empregados diminuiu e as mesas foram afastadas para criar uma distância de segurança.

Lemmens estava preocupado se teria de "fazer de polícia" para garantir que o distanciamento social era respeitado, mas até agora os seus clientes habituais têm sido muito bem comportados. Pelo menos a maioria.

Beijar perigosamente

"Olá chefe! Tenho direito a um beijo?", pergunta uma das primeiras a chegar. Pausa, sorrisos e depois um beijo no rosto, ao estilo belga. "Vamos viver perigosamente!"

Um pouco por toda a cidade a cena repete-se. No bairro comercial de Etterbeek, o dono do café Petit Paris está demasiado ocupado a servir os clientes apara falar. "Fico feliz. Senti falta do lado social da vida", confessa Jacques, de 66 anos, enquanto saboreia o seu café depois de deixar um amigo no hospital ali perto.

Longe dos bairros da classe trabalhadora, as coisas estão mais calmas. Cartazes colocados no bar em frente ao edifício Berlaymont, sede da União Europeia, e que serve os políticos, diplomatas e jornalistas que ali trabalham avisam que não vai reabrir até 15 de junho. Também na Grand Place a falta de turistas é notória, apesar de os cafés terem expandido as esplanadas para respeitar a distância de segurança.

A pandemia - que no seu auge matou mais belgas per capita do que na vasta maioria dos outros países - vai deixar marcas no país, mas uma coisa parece intocada: o gosto dos belgas pela cerveja. .

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