Os 14 tripulantes que morreram no incêndio do submarino russo evitaram uma "catástrofe planetária"

Durante o funeral das vítimas, o capitão Sergei Pavlov afirmou que os 14 marinheiros tentaram controlar o incêndio no submarino nuclear da semana passada; deram as suas vidas para impedirem um acidente ainda maior.

Impediram uma "catástrofe planetária", disse um alto funcionário naval russo sobre os 14 marinheiros que morreram na semana passada durante um incêndio num submarino militar. Segundo o capitão Sergei Pavlov, citado pelo Bloomberg, os militares conseguiram evitar que as chamas se propagassem, evitando um desastre ainda maior.

"Deram as suas vidas para salvarem a vida dos seus colegas, salvaram a embarcação e impediram uma catástrofe planetária", indicou o capitão Sergei Pavlov, durante o funeral das vitimas, este domingo.

O submergível seria nuclear, um AS-12, conhecido como Losharik (nome de uma personagem de um desenho animado soviético), mas não estaria armado, segundo a agência Reuters. Pode atingir uma profundidade de seis mil metros e teria capacidade para levar até 25 tripulantes. Quando o incêndio começou encontrava-se a realizar uma operação de medição batimétrica (medição da profundidade e do relevo do fundo de mares, rios ou lagos), em águas territoriais russas.

O porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov confirmou que o submarino era movido a energia nuclear e que os marinheiros morreram por inalação de fumo. No entanto, sobre as declarações do capitão Pavlov, afirmou que o acidente não terá sido na escala que o militar russo o descreveu.

Este foi o incêndio naval mais grave que aconteceu na Rússia desde 2008. A embarcação foi entretanto levada para a base de Severomorsk, no mar de Barents, na costa norte da Rússia. E já foi aberta uma investigação para estabelecer as causas do acidente, segundo as agências russas.

Os maiores acidentes com submarinos russos

Nos últimos dez anos, aconteceram três grandes incêndios em submarinos russos, que levaram os especialistas a chamar atenção por causa de possíveis problemas de segurança nos estaleiros. O último grande incêndio que tinha acontecido foi em 2008, quando uma tripulação de 73 homens fazia testes no Mar do Japão. A bordo seguiam engenheiros e trabalhadores dos estaleiros navais de Amour, onde o submarino acabava de ser construído. Morreram 20 pessoas.

Já em agosto de 2000, o submarino nuclear Kursk afundou no mar de Barents após duas explosões, matando todas as 118 pessoas a bordo. As explosões empurraram a embarcação para o fundo do mar, tendo parte da tripulação morrido afogada nos dias seguintes.

Outros acidentes fatais ocorreram nas décadas de 1960 e 1970, envolvendo submarinos, principalmente soviéticos, mas também americanos, contando entre eles o que provocou o desaparecimento do USS Thresher, com 129 pessoas a bordo, que se tornou o maior desastre com esta tipologia de embarcações até hoje.

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