ONU: Europa pode sofrer novos ataques do Estado Islâmico ainda em 2019

Embora a célula terrorista tenha sido desmantelada em março, ainda existem seguidores armados e ativos suspeitos de estarem a planear novos ataques.

O autoproclamado Estado Islâmico pode voltar a executar ataques terroristas internacionais ainda durante este ano. O alerta é expresso num relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), citado pelo jornal norte-americano New York Times, menos de cinco meses depois da derrota militar do Estado Islâmico na Síria.

Segundo o documento, produzido pelo Comité de Contraterrorismo do Conselho de Segurança da ONU, os líderes do Estado Islâmico estão a "adaptar-se, a consolidar-se e a criar condições" para reativar o grupo terrorista. Mesmo sem financiamento evidente, estarão a explorar formas de "reinvestir na capacidade de fazer ataques internacionais complexos".

Apesar de ter perdido, em março deste ano, os territórios do califado, a força terrorista continua a ser vista como uma ameaça a nível global. Ainda existirão entre 15 mil e 20 mil seguidores armados ativos, muitos deles em células adormecidas na Síria e no Iraque.

"A atual redução destes ataques pode não durar muito, possivelmente nem até ao final de 2019", conclui o relatório. A ONU indica que o grupo terrorista ainda tem vários membros com capacidade para planearem novos atentados e até para se juntarem a outras forças terroristas como a Al Qaeda, que, segundo o documento, "continua resiliente".

A Europa, segundo este relatório, estará sob maior ameaça. Os especialistas da ONU revelam que os líderes do Estado Islâmico monitorizam os acontecimentos políticos nos diversos países da Europa Ocidental e estudam a realização de ataques que acentuem as divisões domésticas nesses países, refere o NY Times. Embora as capacidades de planeamento do Isis sejam nesta altura limitadas, o grupo terá realizado o reconhecimento de potenciais alvos e pode mesmo ter distribuído explosivos, avança o relatório.

A derrota do último reduto `jihadista`

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou o fim do autoproclamado Estado Islâmico em março deste ano, quando os Estados Unidos e os seus aliados tomaram a cidade síria de Baghuz, considerado o último reduto `jihadista`.

"As Forças Democráticas da Síria declaram a total eliminação do autoproclamado califado e a derrota territorial de 100% do Isis [o grupo Estado Islâmico]", escreveu no Twitter Mustafa Bali, porta-voz das Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pela coligação internacional liderada pelos Estados Unidos.

No auge, o autoproclamado Estado Islâmico chegou a controlar uma área equivalente à Grã-Bretanha, ou seja, 209 mil quilómetros quadrados no Iraque e na Síria, abrangendo cerca de dez milhões de pessoas (o equivalente a toda a população de Portugal). Nos últimos meses, os militantes do grupo extremista detinham uma área com menos de 700 metros quadrados, onde foram resistindo aos sucessivos ataques das FDS.

Os governos europeus estimam que cerca de cinco mil a seis mil cidadãos se tenham juntado a movimentos terroristas, tendo a maioria aderido ao autoproclamado Estado Islâmico. Muitos foram mortos, outros detidos. Outros ainda querem voltar a casa e não os deixam.

O grupo terrorista chegou a contar com 40 mil combatentes oriundos de países estrangeiros, entre os quais Rússia, Arábia Saudita, Tunísia, França, Marrocos, Alemanha, Jordânia, Reino Unido, Usbequistão, Turquia, Reino Unido e, até mesmo, Portugal.