O presidente do país de Melania quer apadrinhar um encontro Trump-Putin

Borut Pahor foi modelo para pagar a universidade, o que lhe valeu a alcunha de Barbie. Agora é uma estrela do Instagram, onde é seguido por mais de 23 mil pessoas, e partilha fotos de atos oficiais e momentos em família

A Eslovénia não é o primeiro país no qual se pensa quando se fala em alta diplomacia, mas o presidente Borut Pahor, em funções desde dezembro de 2012, está a tentar mudar esse cenário. A ajudá-lo tem o facto de a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, ser eslovena de nascimento, mas também as relações próximas que mantém com Angela Merkel e Vladimir Putin.

As movimentações de Pahor começaram uma semana depois da eleição de Donald Trump, com o presidente e o seu primeiro-ministro, Miro Cerar, a enviarem uma carta de agradecimento a Melania, por "aumentar a visibilidade do nosso país da Europa Central".

Várias notícias dão conta de que, antes desta missiva, Pahor já havia tido uma conversa "cordial" com o casal Trump, tendo feito um convite para visitarem a Eslovénia. "Ele [Donald] convidou a primeira--dama para vir ao telefone e falar comigo na bonita língua eslovena. Foi muito comovente. Foi um gesto bonito", contou o chefe de Estado esloveno.

No início deste mês, um novo passo, com visitas a Berlim e a Moscovo. O seu objetivo era levar o presidente russo a apoiar o cessar-fogo no Leste da Ucrânia. "Vou lá como um amigo de Moscovo pedir a um amigo para mostrar a sua sabedoria política e fazer o que está certo com o cessar-fogo", declarou Borut Pahor na sua paragem em Berlim. Apesar de a Eslovénia ser membro da NATO, da União Europeia e ter apoiado as sanções europeias contra a Rússia, tem uma posição mais ponderada em relação a Putin. Sinal disso é o facto de em julho o presidente russo ter estado em Liubliana com Borut Pahor, naquela que foi uma das raras visitas que fez a um país da UE nos últimos anos.

A visita a Moscovo serviu também para propor Liubliana como palco do primeiro encontro entre Vladimir Putin e Donald Trump. Uma oferta que o presidente russo agradeceu, dizendo que a capital eslovena seria um bom local para esse encontro, mas deixando claro que a escolha não cabe apenas a Moscovo. "Quanto a Liubliana, à Eslovénia em geral, é com certeza um lugar brilhante para manter um diálogo de tal género. Mas não depende apenas de nós, depende de uma série de circunstâncias", declarou o presidente russo depois de uma reunião com seu homólogo esloveno, Borut Pahor, em Moscovo. "Se esse encontro acontecer, não temos nada contra Liubliana", acrescentou. A 16 de junho de 2001, a capital eslovaca foi também o palco do primeiro encontro entre Vladimir Putin e o então presidente dos EUA, George W. Bush.

A popularidade de Borut Pahor, de 53 anos, deve-se também à sua conta de Instagram, que já conta com mais de 23 mil seguidores (cerca de 1% da população da Eslovénia). Nas 283 fotografias que partilhou até ontem, o presidente da Eslovénia mostra aspetos mais oficiais da sua rotina, mas também retratos com a mulher - com quem tem um filho -, encontros com celebridades como Naomi Campbell ou Bono, ou momentos de lazer. Chega mesmo a brincar com a alcunha de Barbie, que ganhou quando foi modelo para pagar a faculdade, numa foto em que aparece a ser maquilhado. Pahor até já inspirou uma hashtag (#boruting), que os eslovenos usam quando querem gozar com as suas poses ou personas - antes das presidenciais, Pahor começou a posar para as câmaras encarnando as mais diferentes profissões, desde mecânico a talhante, lenhador ou cabeleireiro, fotos que deram origem a um calendário.

Apesar da sua experiência política - foi presidente do Parlamento (de 2000 a 2004) e primeiro-ministro (entre 2008 e 2012) - a vitória nas presidenciais de 2012 foi uma surpresa, tendo-se tornado o mais jovem chefe de Estado do país e o primeiro a ocupar os três mais altos cargos políticos da Eslovénia.

As sondagens mostram que a sua reeleição em outubro parece ser uma certeza: dados revelados neste mês pelo jornal Delo mostram que 52% dos eslovenos têm uma imagem positiva de Pahor, com apenas 16% a dizerem ter uma impressão negativa do presidente.

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