O general discreto que quer ser "o homem do milagre económico"

Nascido em 1954 no Lobito, João Lourenço estudou no Instituto Industrial de Lisboa e, mais tarde, na União Soviética.

O que será a sua presidência permanece uma incógnita mas, atendendo ao que é conhecido da personalidade de João Lourenço, espera-se uma forma de governação distinta do ainda ministro da Defesa Nacional, membro do MPLA desde 1974. Uma ideia do que se pode esperar do futuro presidente pode extrair-se da entrevista que deu a 23 de maio ao The Washington Post, quando esteve na capital dos EUA para encontros no Pentágono. "Faremos todos os esforços para termos uma administração transparente. Vamos combater a corrupção e queremos que os investidores privados sejam no futuro a base da nossa economia", disse então.

Uma ideia que repetiu em conferência de imprensa na véspera das eleições, quando disse querer ficar na história como "o homem do milagre económico".

Para o ex-deputado do MPLA João Melo, citado há dias pela Reuters, "Lourenço é um homem de convicções (...). Representa a mudança e esta é absolutamente vital para garantir a sobrevivência do MPLA". Uma frase que sintetiza a dimensão dos desafios que tem pela frente aquele que, quase seguramente, será o futuro presidente de Angola.

O perfil que João Lourenço tem na página do Ministério da Defesa, escrito na primeira pessoa, além de uma homenagem aos pais, revela uma pessoa discreta, comedida, fluente em russo e espanhol, desportista - cita o futebol, o karaté e a equitação - com diferentes interesses intelectuais: o xadrez e a literatura. Filho único, nasceu a 5 de março de 1954 no Lobito; estudou no Instituto Industrial de Luanda e, mais tarde, na ex-União Soviética, onde obteve formação militar e fez um mestrado em História. Foi secretário do MPLA em várias províncias e secretário-geral do partido, exerceu diferentes cargos nacionais no partido e nas forças armadas, deputado, presidente da bancada parlamentar e vice-presidente da Assembleia Nacional, antes de ser nomeado ministro em 2014. É general de três estrelas na reserva, como se lê no perfil oficial. Um texto em que lembra ter participado "nas operações militares no centro do país, Kwanza Sul, Huambo e Bié com posto de comando no Huambo". Este foi o período e a região em que o líder da UNITA, Jonas Savimbi, foi morto. No mesmo texto, recorda ter integrado "o primeiro grupo de combatentes que entraram em território nacional" em agosto de 1974.

Como foi salientado por diferentes observadores após ser conhecida em dezembro de 2016 a sua escolha para suceder a Eduardo dos Santos, Lourenço é um dirigente do MPLA que nunca viu o nome associado a escândalos e tem reputação de competente; além de um longo historial ao serviço do partido e das forças armadas, onde é considerado como "figura prestigiada", referiu recentemente então à Voz da América o sociólogo João Paulo Ganga. Opinião subscrita por uma das publicações críticas do MPLA, o Club-k que, em maio de 2015, o classificava como um dirigente "dos mais respeitados do regime angolano" a propósito de uma controvérsia sobre fornecimentos às forças armadas, em que o ministro quis pôr fim a uma situação de favorecimento de estrangeiros face a nacionais, uma solução defendida por outra importante figura do regime.

João Lourenço é casado e pai de seis filhos.

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