Referendo. Nova Caledónia não se separa de França

Cerca de 175 mil eleitores do arquipélago francês situado no Pacífico, colonizado em 1853 e com importantes reservas de níquel, foram chamados a dizer se querem ou não que "a Nova Caledónia aceda à plena soberania e se torne independente". O não venceu.

O não à independência da Nova Caledónia ganhou no referendo hoje realizado. Quando estavam contabilizados 95% dos boletins, 56,8% votou contra a separação de França.

"Os caledonianos escolheram permanecer franceses... É um voto de confiança na república francesa, no seu futuro e nos seus valores ", disse o Presidente Emmanuel Macron num discurso na televisão francesa.

Macron disse compreender a decepção daqueles que queriam a independência, mas acrescentou que a república francesa é um garante de liberdade, igualdade e fraternidade para todos.
"O único perdedor é a tentação do desprezo, divisão, violência e medo; o único vencedor é o processo de paz e o espírito de diálogo", disse Macron.

As assembleias de voto abriram às 8:00 locais de domingo (21:00 de sábado em Lisboa) e permaneceram abertas durante dez horas.

A vitória do "não" deixa o território como parte de França, embora esteja previsto que se aprofunde a sua já grande autonomia, com uma cidadania própria, independência legislativa e, inclusive, a possibilidade de estar em instituições internacionais.

Os partidários da independência, que têm o seu principal apoio entre a população autóctone, os kanaks, que são os setores mais pobres da sociedade, podem exigir mais dois referendos nos próximos quatro anos, ao mesmo tempo que, na sua condição de ex-colónia, mantêm o direito de autodeterminação reconhecido pela ONU.

Os unionistas, maioritários entre os colonos, consideram que a independência levaria a Nova Caledónia a cair sob a influência da China.

Uma dezena de observadores das Nações Unidas vigia o escrutínio, bem como duas centenas de agentes enviados pela França.

Para impedir incidentes, após o apelo para o boicote feito pelos grupos independentistas mais radicais, as autoridades francesas enviaram da metrópole reforços policiais, destacados para a ilha principal, onde se situa a capital do arquipélago, Noumea, e também para as outras ilhas de menor tamanho.

O primeiro-ministro, Edouard Philippe, vai reunir-se na segunda-feira com as principais forças políticas da Nova Caledónia para analisar os resultados.

O referendo foi o primeiro voto de autodeterminação a ser realizado em território francês desde que o Djibuti, no corno de África, votou pela independência em 1977.

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