NATO adere à vaga de expulsões mas quer manter relação com Rússia

No total, e contando com o Reino Unido, Moscovo vai perder 151 funcionários no estrangeiro. Theresa May pede uma resposta a longo prazo, enquanto Sergei Lavrov acusa os EUA de "pressões colossais" sobre os aliados

A NATO anunciou ontem a expulsão de sete diplomatas da missão russa e recusou a acreditação de outros três em resposta ao envenenamento com um gás neurotóxico do ex-espião russo Sergei Skripal no Reino Unido. Uma tomada de posição iniciada por Londres e que, nos últimos dois dias, já contou com a solidariedade de 27 países (17 deles da União Europeia e 20 pertencentes à Aliança), num total de 151 diplomatas expulsos. Theresa May pediu ontem uma resposta do Ocidente a longo prazo, enquanto o líder da diplomacia de Moscovo fala em "pressões colossais" dos EUA.

"Manda uma mensagem muito clara à Rússia de que existem custos e consequências face a um padrão de comportamento inaceitável e perigoso", declarou o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, referindo que esta decisão se deve também à "ausência de uma resposta construtiva da Rússia" sobre o caso Skripal. Com estas expulsões, a missão russa junto da NATO ficará com uma equipa de 20 pessoas.

Mesmo assim, Stoltenberg deixou claro que pretende que Moscovo continue a manter contactos com os 29 Estados membros da Aliança. "A decisão de hoje não altera a política da NATO em relação à Rússia. A NATO continua empenhada na abordagem a duas vertentes de uma defesa forte e de uma abertura ao diálogo, incluindo a preparação para a próxima reunião do Conselho NATO-Rússia", disse.

As relações entre as duas partes não são as melhores - a missão de Moscovo é na sede da NATO, em Bruxelas, mas os diplomatas russos enfrentam séries limitações de acesso ao edifício desde a anexação da Crimeia, em 2014, trabalhando a partir da embaixada. Desde essa altura, a NATO suspendeu todas as ações de cooperação civis e militares com a Rússia, embora mantenha um diálogo político e tenha tentado reativar os canais militares, em grande parte para discutir a situação na Ucrânia.

Para o secretário da Defesa norte-americano, Jim Mattis, a expulsão dos diplomatas russos é uma declaração para quem duvidava da união da NATO. Este responsável acredita que a Rússia tem potencial para ser um parceiro da Europa, mas que agora o país escolheu "procurar uma relação diferente com os membros da NATO". Os EUA decidiram na segunda-feira expulsar 60 russos.

Do lado da União Europeia, Irlanda e Bélgica tornaram-se ontem o 17.º e 18.º Estado membro a mostrar a sua solidariedade com o Reino Unido, com a expulsão de um diplomata russo cada. "A Irlanda é um país neutro, não fazemos parte de alianças militares. No entanto, no que diz respeito ao terrorismo, assassinatos, o uso de armas químicas e ciberterrorismo, não somos neutros de todo neutros", declarou o primeiro-ministro Leo Varadkar.

A decisão da Bélgica foi tomada em concertação com os parceiros da União Europeia e da NATO, organizações do qual o país é membro e cujas sedes ficam na capital belga. Segundo o líder do governo Charles Michel, o país irá expulsar um diplomata e aplicar a decisão da NATO. Austrália (3) e Moldávia (3) anunciaram ontem também que iriam dar ordem de expulsão a funcionários russos.

Ontem, a primeira-ministra britânica apelou a uma "resposta a longo prazo" do Ocidente à ameaça de segurança vinda da Rússia. Theresa May realçou que a resposta dada até agora não é por solidariedade, mas sim porque os países reconhecem a ameaça que Moscovo representa. Segunda-feira "foi um momento significativo na nossa resposta a este ato imprudente de agressão, mas ainda há mais a ser feito enquanto trabalhamos com parceiros internacionais numa resposta de longo prazo ao desafio apresentado pela Rússia", afirmou a líder britânica.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, por seu turno, acusou os Estados Unidos de exercer "pressões colossais" para alcançar uma resposta internacional massiva e coordenada. "Quando se pede a um ou dois diplomatas para abandonarem este ou aquele país, ao mesmo tempo que se murmuram desculpas ao ouvido, sabemos precisamente que é o resultado de pressões colossais, de uma chantagem colossal que é, infelizmente, a principal arma de Washington na cena internacional", disse Lavrov numa conferência de imprensa. "Vamos responder, não duvidem! Ninguém pode tolerar uma grosseria destas e nós também não", garantiu ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros russo.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG