NATO acusa Moscovo de violar tratado de armas nucleares

Ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança instam a Rússia a cumprir tratado que baniu a presença de mísseis nucleares em solo europeu.

A NATO secundou esta terça-feira, em Bruxelas, as acusações dos EUA de que a Rússia violou o tratado de armas nucleares de curto e médio alcance assinado em 1987.

"Pedimos à Rússia que volte urgentemente ao cumprimento total e verificável [daquele tratado]. Agora, depende da Rússia preservá-lo", afirmaram os chefes da diplomacia dos 29 países da Aliança - tendo em pano de fundo a ameaça dos EUA de abandonarem o acordo se Moscovo não recuar.

O Tratado INF (sigla em inglês) baniu os mísseis nucleares de curto e médio alcance - 500 a 5500 quilómetros - na Europa.

"Os aliados concluíram que a Rússia desenvolveu e implantou um sistema de mísseis, o 9M729, que viola o Tratado INF e representa riscos significativos para a segurança euro-atlântica", declararam os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO no final do primeiro de dois dias re reunião - onde Portugal se faz representar pela secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias.

"Apoiamos firmemente a constatação dos EUA de que a Rússia está a violar objetivamente as suas obrigações" ao abrigo do Tratado INF, sublinharam os ministros da NATO na declaração publicada no final da reunião desta terça-feira.

Nas declarações feitas a seguir aos jornalistas, o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, deu à Rússia um prazo de 60 dias para voltar a cumprir as suas obrigações, caso contrário os EUA retiram-se do Tratado INF.

"Durante esses 60 dias, não iremos testar ou produzir ou projetar" quaisquer sistemas de mísseis, disse Mike Pompeo, acrescentando quue os EUA têm instado a Rússia a regressar aos termos do acordo. Contudo, "até agora não há qualquer indicação de que [os russos] tenham qualquer intenção de o fazer", concluiu.

Os mísseis de médio alcance que os EUA e a NATO acusam a Rússia de projetar na Europa permitem que Moscovo lance um ataque nuclear contra países aliados num prazo muito curto - leia-se quase sem aviso prévio.

Com a Rússia a garantir que cumpre escrupulosamente as obrigações impostas pelo Tratado INF, vários analistas consideram que Moscovo vê esse tipo de mísseis como uma alternativa mais económica do que o recurso a forças convencionais.

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