"Não é novo". OMS desvaloriza estirpe de vírus da gripe suína

Organização Mundial da Saúde afirma que esse vírus, como outros, está em vigilância há quase uma década.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) desvalorizou hoje informações sobre uma estirpe de vírus da gripe suína, afirmando que a mesma está em vigilância desde 2011 e que não é um novo vírus.

Um estudo divulgado na segunda-feira indicava a possibilidade de uma nova pandemia a partir de uma estirpe do vírus da gripe suína descoberto na China, mas especialistas da OMS relativizaram a situação durante uma conferência de imprensa 'online', a partir da sede da organização em Genebra, sobre a covid-19, a pandemia que já infetou mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo. A China também já o tinha feito hoje.

Questionados pelos jornalistas, quer Mike Ryan, do programa de emergências em saúde da OMS, quer Maria Van Kerkhove, epidemiologista e diretora técnica para a covid-19 na organização, disseram que o vírus, como outros, está em vigilância há quase uma década.

O estudo sobre o vírus relata a evolução deste e demonstra a importância da vigilância, disse Mike Ryan, acrescentando que o mesmo vírus já tinha sido relatado noutros estudos, palavras que foram corroboradas por Maria Van Kerkhove.

Mike Ryan aproveitou para dizer que o trabalho de vigilância de vírus que a OMS faz pode ter "um retrocesso" por falta de financiamento.

Os dois especialistas alertaram também para o aumento de infeções em países que começaram o desconfinamento e para a facilidade de propagação da covid-19 em bares e discotecas. "As pessoas precisam de analisar o seu próprio risco e tomar as medidas adequadas", disse Mike Ryan.

China minimizou risco de nova pandemia, agora de gripe suína

A China minimizou esta quarta-feira o perigo de uma nova pandemia a partir dessa estirpe do vírus da gripe suína.

Um porta-voz da diplomacia chinesa, Zhao Lijian, afirmou que "os especialistas concluíram que o tamanho da amostra citada no relatório é pequeno e não representativo", garantindo que o país continuará a "monitorizar a doença, dará o alerta se for necessário e tratá-la-á a tempo".

Entre 2011 e 2018, os cientistas recolheram 30.000 amostras em porcos mantidos em matadouros nas 10 províncias chinesas e num hospital veterinário e conseguiram isolar 179 vírus da gripe suína, concluindo que 10,4 por cento das pessoas que estiveram em contacto com os animais foram infetadas.

Contudo, ainda não têm provas de que, para já, os vírus G4 tenham capacidade de se transmitirem de humano para humano.

60 por cento de todos os casos foram reportados no último mês

Na conferência de imprensa de hoje, diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou ainda que 60% de todos os casos de covid-19 foram reportados no último mês, acrescentando que não se pode "descansar" e que mesmo os países com mais casos podem reverter a situação, dando o exemplo de Espanha e Itália, que em março tinham por dia 10.000 e 6.500 casos diários, respetivamente, e que conseguiram controlar a epidemia.

Ahmed Al-Mandhari, diretor regional da OMS para a região do mediterrâneo oriental, que também participou na conferência, disse que na região há um milhão de infeções e que os países mais afetados são o Irão, Arábia Saudita e Paquistão, havendo também aumentos recente de casos no Iraque, Líbia, Marrocos, Palestina e Omã.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 511 mil mortos e infetou mais de 10,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.579 pessoas das 42.454 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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