Nacionalistas vencem e apresentam exigências a Paris

Lista Pè a Corsica obteve 45,36% dos votos na primeira volta das territoriais e vai dominar a nova assembleia corsa a partir de janeiro.

Em 2014 venceram a Câmara de Bastia, no ano seguinte conquistaram a região e em junho, os nacionalistas da Córsega elegeram três deputados à Assembleia Nacional francesas. Agora, a lista Pè a Corsica (Pela Córsega) ganhou a primeira volta das eleições territoriais de domingo, ficando muito perto da maioria absoluta e de recuperar na segunda volta do próximo domingo o controlo da nova coletividade única que vai governar a ilha. Sublinhando que este resultado é uma mensagem para o continente, o independentista Jean-Guy Talamoni garante que um processo de independência não está nos planos para a próxima década, mas aproveita para apresentar exigências a Paris.

“Foi um verdadeiro tsunami democrático”, afirmou o autonomista Gilles Simeoni, parceiro de Talamoni na lista Pè a Corsica, por entre os gritos de felicidade dos seus apoiantes. E acrescentou: “A Córsega envia um sinal forte a Paris e diz com uma voz largamente maioritária: queremos a paz, queremos a democracia, queremos construir uma ilha emancipada. Cabe a Paris fazer a sua parte do caminho para elaborarmos juntos uma solução política.” Juntos, os nacionalistas e independentistas tiveram 45,36% dos votos, o que lhes garante a vitória na segunda volta e o controlo, a partir de janeiro de 2018, da nova assembleia corsa, que vai juntar a região e os dois departamentos da ilha.

É longa a lista das exigências dos nacionalistas corsos: reconhecimento da língua corsa como língua oficial, um estatuto permanente que permita lutar contra a desapropriação imobiliária e uma “lei da amnistia para os presos políticos” que inclua Yvan Colonna, o independentista condenado a prisão perpétua pelo assassínio em 1998 do prefeito Claude Érignac.

Em entrevista à rádio France Inter, Talamoni, presidente da Assembleia da Córsega, sublinhou: “Pedimos [ao Estado francês] que rompa com a política de indiferença, com o negar da democracia. Agimos como se não tivesse acontecido nada em 2015 mas foi um sismo político. Passam-se coisas na Córsega há dois anos. Os corsos consideram-se uma nação.”

Em pleno debate sobre a independência da Catalunha, até o independentista Talamoni admite que esse não é um cenário, pelo menos nos próximos dez anos, até porque a maioria dos habitantes da ilha prefere continuar ligado a França. O presidente da Assembleia da Córsega faz, no entanto, questão de lembrar que “se os corsos um dia quiserem maioritariamente ser independentes, ninguém poderá opor-se”.

Com uma população de 320 mil e uma economia de 8,6 mil milhões de euros, a Córsega sabe que não tem nem o peso demográfico nem o peso económico da Catalunha. Mas isso não impede muitos de sonhar com mais autonomia. É o caso de Antoine, 61 anos, que ao Le Figaro lembrava: “Temos um povo, uma língua, uma cultura: o governo tem de o admitir.” E acrescenta: “Fizemos esforços, acabámos com a clandestinidade, com os atentados. Se não conseguem perceber isso...”

Com vantagens fiscais nos vinhos, tabaco, automóveis mas também para as empresas e famílias devido à insularidade, a Córsega está muito dependente do financiamento e dos empregos do Estado. Um entrave sério ao sonho independentista.

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