MNE japonês em Portugal no ano do 160.º aniversário das relações diplomáticas

Toshimitsu Motegi estará esta quarta-feira em Lisboa para debater relação bilateral com o ministro Augusto Santos Silva. Antes de seguir para França e Arábia Saudita, chefe da diplomacia nipónica fará visita de cortesia ao presidente da república.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão faz esta quarta-feira uma visita a Portugal, tendo reunião agendada com o seu homólogo Augusto Santos Silva no Palácio das Necessidades, em Lisboa. Toshimitsu Motegi, que chefiava a diplomacia nipónica sob a liderança de Shinzo Abe, manteve o cargo após a nomeação do novo primeiro-ministro Yoshihide Suga há duas semanas e esta sua estada em Portugal integra-se num périplo que inclui França e Arábia Saudita.

"Estas visitas têm por objetivo reforçar o fortalecimento das relações bilaterais entre o Japão e os respetivos países, bem como a promoção da cooperação com a UNESCO. Pretende-se também estabelecer uma troca de opiniões sobre as medidas contra a infeção pelo novo coronavírus e aferir a situação de cada uma dessas regiões", pode ler-se num comunicado distribuído pela embaixada japonesa em Lisboa. O mesmo comunicado destaca que, nesta sua passagem por Portugal, Motegi fará uma visita de cortesia ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

A visita do ministro japonês coincide com o ano das comemorações do 160.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, reinava então (1860) D. Luís em Portugal e o arquipélago nipónico era ainda governado pelos xóguns Tokugawa, mas estava-se nas vésperas da chamada Revolução Meiji, sinónimo de modernização do Japão.

As relações entre portugueses e japoneses são, porém, bem mais antigas, pois em 1543 deu-se o primeiro contacto. Portugal tornou-se o primeiro país europeu a relacionar-se com o Japão, introduzindo a ciência e a tecnologia ocidentais (caso das armas de fogo) e também o cristianismo.

"Toda a gente no Japão sabe que a espingarda foi introduzida pelos portugueses e que palavras como pan ou koppu são de origem portuguesa", afirmou o embaixador Ushio Shigeru, em recente entrevista ao DN.

Em termos de visitas oficiais de primeiro nível, a última vez que um primeiro-ministro japonês esteve em Lisboa foi em 2014, no caso Abe, que se reuniu com o então chefe do Governo Pedro Passos Coelho. O imperador Naruhito esteve em Portugal em 2004, quando era príncipe herdeiro.

Importante também, mas a nível económico, foi a visita em 2018 da Keidanren, a principal associação empresarial do Japão, com objetivo de propiciar novos investimentos. Na época, eram já 82 as empresas nipónicas presentes no país, desde a alta tecnologia até à pesca de atum.

Depois de Lisboa, seguem-se Paris e Riade no períplo de Motegi. "Em França, realizará uma reunião com S.E. Sr. Jean-Yves Le Drian, Ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros da República Francesa, e fará uma visita de cortesia a S.E. Sr. Emmanuel Macron, Presidente da República Francesa. Também terá uma reunião com S.E. Senhora . Audrey Azoulay, Diretora Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)", esclarece o comunicado. E, ainda segundo a mesmo fonte, "na Arábia Saudita, realizará uma reunião com Sua Alteza Príncipe Faisal bin Farhan Al-Saud, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino da Arábia Saudita".

Terceira maior economia mundial, depois dos Estados Unidos e da China, o Japão ambiciona também um maior papel na cena política internacional, nomeadamente nas Nações Unidas. E uma das últimas iniciativas de Motegi antes de voar de Tóquio para a Europa foi reunir-se via internet com os seus homólogos alemão, indiano e brasileiro para discutir o futuro das Nações Unidas, que estão a celebrar 75 anos. O Japão e as outras três potências constituem o G-4, que se apoia mutuamente no processo de reforma da ONU, com todos elas a reivindicar um assento permanente no Conselho de Segurança.

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