MNE britânico denuncia ingerência russa nos EUA

Boris Johnson quer reforço das relações com Moscovo

O chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, afirmou hoje que "existem muitas provas" da ingerência russa nos processos eleitorais nos Estados Unidos, Alemanha, França e Dinamarca, ao mesmo tempo que desejou o reforço das relações com a Rússia.

"Lamentavelmente, há muitas provas da ingerência da Rússia nas eleições na Alemanha, Dinamarca, França e Estados Unidos", disse Johnson que, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo russo, Serguei Lavrov, em Moscovo, garantiu não dispor de informações de que o Kremlin tenha feito o mesmo em votações no Reino Unido.

Apesar de denunciar a ingerência russa em eleições em vários países ocidentais, Johnson disse ter chegado a hora de "virar a página" sobre o assunto.

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico assegurou, por outro lado, que, apesar das "grandes divergências" em temas como a Síria ou Ucrânia, o Reino Unido deseja melhorar as "atualmente lamentáveis" relações bilaterais.

"Não há qualquer dúvida de que quero melhorar as relações entre os nossos povos. Mas isso não significa que devamos obviar as dificuldades com que nos debatemos neste momento", sublinhou Johnson, que concretizou a primeira visita de um chefe da diplomacia britânica a Moscovo em cinco anos.

Sobre as acusações de ingerência, Lavrov insistiu na ausência de quaisquer provas, sobretudo relacionadas com uma eventual vontade de Moscovo em ver o Reino Unido fora da União Europeia (UE) no referendo de junho de 2016.

O chefe da diplomacia russa também salientou que, apesar das diferenças de ponto de vista, os dois países devem melhorar as relações bilaterais, reconhecendo que estão "muito degradadas".

Johnson e Lavrov estão reunidos em Moscovo para tentar ultrapassar as divergências e as dificuldades que persistem há anos no relacionamento entre os dois países, que começaram com a morte, por envenenamento, do ex-agente secreto russo Alexandre Litvinenko, em 2006 em Londres, e, mais recentemente, pelo conflito sírio e a crise na Ucrânia.

"Vamos encontrar uma forma de avançar", disse Johnson, afirmando-se como um "convicto russófilo".

"Estamos prontos para desenvolver um diálogo sobre um leque de questões muito amplo, na base da equidade", sublinhou Lavrov, que insistiu na cooperação cultural e económica entre os dois países, apesar de ainda vigorarem as sanções da UE à Rússia.

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