Míssil que atingiu avião da Malaysia Airlines era mesmo do exército russo

Autoridades russas negam qualquer envolvimento no abate do MH17

Uma investigação internacional revelou ter provas concretas e legais de que o míssil que abateu o avião MH17 da Malaysia Airlines na Ucrânia, em julho de 2014, foi disparado por um sistema antiaéreo do exército russo. O avião fazia a escala de Amesterdão para Kuala Lumpur quando foi abatido sobre a zona em conflito no leste do país. Morreram as 298 pessoas a bordo, a maioria de nacionalidade holandesa.

O The Guardian recorda que, em 2016, os mesmos investigadores holandeses tinham anunciado que existiam provas de que o sistema BUK envolvido no incidente tinha cruzado a fronteira do leste da Ucrânia com a Rússia e regressado após o abate do avião.

Em conferência de imprensa, esta quinta-feira, em Haia, a polícia e os investigadores mostraram as provas: fotografias e vídeos que identificam o sistema específico BUK como o responsável pelo lançamento do míssil.

As autoridades russas negam qualquer envolvimento no abate do MH17 e os meios de comunicação russos ligados ao governo têm divulgado várias teorias consideradas impossíveis, como a de que terá sido a Ucrânia a abater o avião.

A Rússia usou ainda o seu veto na ONU para impedir que um tribunal internacional determine a culpa pela tragédia, o que significa que qualquer julgamento posterior será realizado na Holanda e responderá apenas à lei deste país.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.