Ministro demite-se por escândalo à Fillon e Macron soma apoios

Le Roux empregou filhas menores no Parlamento, quando era deputado. Após debate, dois membros do governo apoiaram centrista

O ministro do Interior francês, Bruno Le Roux, demitiu-se ontem depois de ser revelado que pagou às filhas menores - de 15 e 16 anos - para trabalharem como suas assessoras parlamentares durante as férias escolares. "Estes contratos correspondem a trabalho que foi feito", disse o ministro, antigo líder do grupo socialista no Parlamento, que optou por se demitir para não prejudicar o trabalho do governo. Le Roux quis também distanciar-se do candidato da direita às presidenciais, François Fillon, acusado de pagar milhares de euros à mulher por um trabalho que ela não fez.

A demissão surgiu poucas horas após a abertura formal de um inquérito preliminar na procuradoria anticorrupção, depois de um encontro com o presidente François Hollande no Eliseu - na presença do primeiro-ministro Bernard Cazeneuve. Após o anúncio da demissão, foi revelado de imediato o nome do substituto. Matthias Fekl, até agora secretário de Estado para o Comércio Externo, será o novo ministro do Interior, uma pasta essencial numa França há mais de um ano em estado de emergência devido à ameaça terrorista. Esta foi a quinta demissão de um ministro desde a chegada de François Hollande ao poder, em maio de 2012.

Segundo o programa de televisão Quotidien TV, Le Roux terá pago um total de 55 mil euros de dinheiros públicos às duas filhas entre 2009 e 2016. A contratação de familiares é legal em França, desde que esse emprego não seja fictício. No caso de Fillon, a sua mulher Penelope e os filhos terão recebido 800 mil euros por funções que alegadamente não desempenharam - algo que o candidato d"Os Republicanos nega.

Esta demissão desviou as atenções da campanha eleitoral após um debate televisivo inédito, entre os cinco principais candidatos às presidenciais, que foi seguido por mais de dez milhões de telespectadores na segunda-feira à noite - um quinto do eleitorado. Várias sondagens revelaram que Emmanuel Macron, do En Marche! que concorre às primeiras eleições e não tinha experiência em debates, foi o mais convincente no confronto de três horas e vinte minutos na TF1 e LCI.

Para somar a esse sucesso, a secretária de Estado da Biodiversidade, Barbara Pompili, deu-lhe o seu apoio. "Decidi, depois de pensar seriamente, apoiar o esforço, o programa e a candidatura de Macron", disse a rádio France Info. Bernard Poignant, conselheiro especial de Hollande, fez o mesmo: "As posições de Macron são as mais próximas das minhas convicções."

Muitos socialistas acreditam que Macron, ex-ministro da Economia de Hollande, está mais bem colocado para derrotar a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, do que o vencedor das primárias da esquerda, o socialista Benoît Hamon. Este está atrás de Fillon nas sondagens. O candidato da direita arrisca ter de dar mais explicações após a última revelação do Le Canard Enchaîné. Segundo o semanário, Fillon terá recebido 50 mil dólares para servir de intermediário num encontro entre o presidente russo, Vladimir Putin, o patrão da Total, Patrick Poyanné, e um milionário libanês.

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