Ministro da Justiça dinamarquês admite confiscar bens aos refugiados

Soren Pind defendeu em entrevista que os bens apreendidos serviriam para cobrir as despesas dos refugiados. As declarações foram alvo de muitas críticas pelo país

O ministro da Justiça, Soren Pind, admitiu que a Dinamarca poderia confiscar bens de valor aos refugiados, em situações excecionais, para cobrir os custos dos asilos. Em entrevista a uma estação de televisão, Soren Pind declarou que se por exemplo um homem tentasse entrar no país com "uma mala cheia de diamantes", os diamantes deveriam ser apreendidos.

Segundo o jornal dinamarquês The Local, Soren Pind esclareceu que dinheiro e outros bens necessários para manter um padrão de vida modesto na Dinamarca nunca seriam confiscados e os refugiados poderiam manter também objetos de valor pessoal, como alianças e anéis de noivado. Apenas grandes quantidades de ouro, bem como joias ou diamantes, relógios e outros bens de valor elevado seriam retirados aos que pedem asilo pelas autoridades nas fronteiras.

O ministro afirmou que esta medida seria uma forma de compensação pelos gastos que os dinamarqueses irão suportar por causa dos refugiados.

As declarações do ministro da Justiça causaram indignação pelo país e foram alvo de muitas críticas. Deputados do Parlamento acharam que a ideia ressuscitava "imagens históricas terríveis" e permitia "abusos pessoais graves".

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Kristian Jensen, demonstrou que não concordava com a ideia utilizando o Twitter, onde escreveu: "Não, não devíamos arrancar as alianças de casamento dos dedos de quem procura asilo na Dinamarca"

A medida defendida por Soren Pind serviria também para desincentivar os refugiados a escolherem a Dinamarca como país de destino. Martin Henriksen, porta-voz para assuntos de integração do Partido Popular Dinamarquês, numa entrevista ao jornal Deutsche Welle, afirmou que a ideia de os refugiados desistirem de ir para a Europa era agradável. "Enquanto eles [refugiados e migrantes] virem um futuro na Europa, eles vão continuar a vir", disse o político. "Nós temos uma missão. E a missão é apertar as regras para que os traficantes de seres humanos e os requerentes de asilo possam ver que o futuro não é na Europa ou na Dinamarca", afirmou.

Quanto à proposta de confiscar os bens aos requerentes de asilo, Martin Henriksen, defendeu que não deveria haver um limite máximo no valor apreendido, apenas mínimo, por pessoa.

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