Milhares protestam em Paris contra revisão do Código do Trabalho

Milhares de manifestantes desfilaram hoje nas ruas de Paris contra a revisão do Código do Trabalho do Presidente francês, Emmanuel Macron, incitados pelo chefe da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon.

"Contra o golpe no Estado social", "Queremos viver, não sobreviver" e "Não há nada de bom com Macron" são algumas palavras de ordem nos cartazes do desfile que decorre entre a Praça da Bastilha e a Praça da República e que conta com o apoio de vários sindicatos e estruturas sindicais.

O líder da França Insubmissa (esquerda radical) tem previsto falar aos manifestantes na Praça da República pelas 17:00 locais (16:00 em Lisboa) e já prometeu um "ciclone social" da parte da oposição à reforma defendida por Macron.

A reforma laboral de Macron prevê a definição de um limite máximo para as indemnizações em caso de litígio, a redução dos prazos de recurso dos assalariados ou ainda a possibilidade de negociar sem sindicato quando se tem menos de 50 funcionários, quando as pequenas e médias empresas empregam quase metade dos assalariados em França.

O objetivo apontado pelo chefe de Estado francês é dar mais flexibilidade às empresas e encorajá-las a contratar, numa altura em que o desemprego se mantém em níveis muito elevados, atingindo 9,5% da população ativa, contra uma média de 7,8% na Europa.

A organização do protesto espera uma participação igual à da Marcha pela Republica, realizada em 18 de março, na qual estiveram cerca de 130 mil pessoas.

Os protestos contra a revisão da lei do trabalho começaram no dia 12 deste mês com várias manifestações por todo o país e que contaram com centenas de milhares de franceses.