Um dos estudantes da escola de Suzano, na Grande São Paulo, descreveu ao jornal Folha de São Paulo o que se viveu na instituição durante o tiroteio que fez oito mortos, cinco dos quais crianças. Rosni Marcelo, de 15 anos, disse que o ataque ocorreu durante o intervalo e que um dos criminosos tinha uma arma e outro uma faca.."Estávamos na merenda e escutamos três tiros, corremos e tentamos pular o muro. Eles vieram atrás de nós e começaram a matar muita gente. Foi quando a arma descarregou que conseguimos correr", disse aquele estudante. Rosni Marcelo disse ainda que um dos garotos passou com uma faca ao seu lado, mas conseguiu desviar-se. "Fui para a diretoria e tinha gente morta no chão. Eles gritavam, mas não entendo o que era"..O estudante teve amigos que não tiveram a mesma sorte que ele. "Meu amigo levou facada no ombro e outro levou um tiro. Fugi com um amigo para minha casa e voltei para buscar um amigo"..Mas há também relatos de vizinhos da escola, que o jornal Globo foi ouvir, entre os quais a comerciante Joielma Soares dos Santos, de 48 anos, que trabalha numa oficina a cerca de 200 metros da Escola Estadual Professor Raul Brasil. A comerciante disse que abrigou uma aluna que estava na escola na hora do massacre.."Daqui da oficina deu para ouvir muitos tiros. De repente, começou a sair muita gente correndo da escola. As crianças saíam correndo, chorando muito, gritando. Uma menina entrou aqui na oficina desesperada, pediu meu celular emprestado para ligar para a mãe, mas a ligação não completava. Foi uma cena horrível", afirmou Joielma Soares dos Santos..Outro morador de um condomínio localizado em frente à escola, que não se quis identificar, afirmou que pelas 9.00 acordou e ouviu barulho de tiros. Segundo ele, da janela do apartamento no sexto andar era possível ver alunos a correr e a gritar no pátio da escola. "O barulho dos disparos parava e voltava toda hora. Depois de uns 10 minutos vi uma viatura chegando nos fundos da escola ao mesmo tempo que muitos alunos pulavam o muro para tentar fugir dali", disse..Outro estudante, que se identificou como Mateus, conversou com os jornalistas e contou como correu para escapar aos atiradores. Mateus disse que um dos seus colegas ficou em estado de choque ao ver as cenas e acabou por ser atingido. - Eu estava ao lado dele. Falei: 'corre mano'. Ficou parado, em choque." Levou dois tiros: um no peito e outro na barriga. E eu só peguei a mão do meu irmão - disse o aluno, chorando muito. - Eu vi umas cinco ou seis pessoas jogadas no chão"..O Globo relata ainda que uma cozinheira, de nome Silmara Cristina Silva de Moraes, 54 anos, escondeu 50 alunos na cozinha. "Nós estávamos servindo merenda e aí começou os 'pipoco' (tiros) e as crianças entraram em pânico. Abrimos a cozinha em começamos a colocar o maior número de crianças dentro e fechamos tudo e pedimos para eles deitarem no chão", conta chorando. "Foi muito desesperador, porque foi muito tiro, muito tiro mesmo e era muito pânico".O Twitter foi invadido por uma maré de comentários.