#MeToo. Weinstein chega a acordo de 40 milhões para evitar processo

O ex-produtor é acusado por dezenas de mulheres de assédio sexual e o dinheiro seria usado para pagar as indemnizações cíveis. Acordo não trava julgamento criminal por violação e abuso sexual, que deverá começar em setembro.

O antigo produtor de Hollywood Harvey Weinstein terá chegado a um acordo no valor de 44 milhões de dólares (40 millhões de euros) em indemnização com dezenas das suas vítimas para travar o processo civil de que é alvo em Nova Iorque, segundo o Wall Street Journal e o The New York Times que citam várias fontes próximas do processo.

O acordo, caso seja concluído, resolverá os processos civis que foram apresentados pela procuradoria de Nova Iorque no ano passado, que acusa os executivos da Weistein Co. de não protegerem os funcionários de um ambiente de trabalho hostil e da má conduta sexual de Weinstein.

O acordo inclui ainda os executivos do seu antigo estúdio e a procuradoria-geral de Nova Iorque e não afeta o processo criminal, no qual o ex-produtor é acusado de ter violado uma mulher em 2013 e de tentado forçar um ato sexual com outra mulher em 2006. Esse julgamento deverá começar em setembro. Weinstein nega os crimes.

Segundo o The New York Times, o valor do atual acordo é menos de metade do que foi inicialmente discutido para a criação de um fundo de apoio às vítimas que foi discutido no ano passado entre um grupo de investidores interessado em comprar os bens da produtora de Weinstein e o então procurador de Nova Iorque. Esse acordo era de 90 milhões de dólares, mas caiu por terra no último minuto.

De acordo com a mesma fonte, os 44 milhões de dólares seriam pagos pelas companhias de seguros.

As acusações a Weinstein resultam de uma investigação feita por um Grande Júri de Manhattan (Nova Iorque). O produtor, que foi expulso da Academia e despedido da sua produtora, a Weinstein Company, que depois anunciou estar a entrar num processo de falência, entregou-se numa esquadra em Manhattan em maio de 2018 e acabou por sair em liberdade com monitorização eletrónica depois de pagar uma fiança de um milhão de dólares.

As denúncias contra Weinstein desencadearam o movimento #MeToo, com milhares de mulheres a usarem as redes sociais para denunciar abusos sexuais em todo o mundo.