Medo de ciclone leva Índia e Bangladesh a evacuar milhões de pessoas para abrigos coletivos

Índia e Bangladesh começaram a retirar mais de dois milhões de pessoas das respetivas zonas costeiras, antecipando a chegada do ciclone Amphan que deverá atingir com forte intensidade os dois países nos próximos dias.

O ciclone Amphan, que poderá ser o mais forte a atingir aquela região desde 2007, está atualmente a progredir na zona do Golfo de Bengala, ao largo da Índia, com o registo de rajadas de vento até 265 quilómetros por hora. O medo da covid-19 persiste, com os evacuados a serem obrigados a usar máscara e luvas nos abrigos onde serão acolhidos.

O fenómeno meteorológico deverá atingir a zona de Bengala Ocidental (Índia) ou o Bangladesh na quarta-feira, com o registo de chuvas fortes e rajadas de vento até 165 quilómetros por hora, segundo as previsões do serviço de meteorologia indiano.

"Poderá ser o ciclone mais intenso a atingir a região desde o ciclone Sidr", que matou mais de três mil pessoas em novembro de 2007, afirmou à agência France-Presse (AFP) um funcionário dos serviços meteorológicos do Bangladesh, Bazlur Rashid.

Até dois milhões de pessoas serão retiradas, a partir de terça-feira, das zonas mais baixas do Bangladesh, indicou o chefe da autoridade nacional de gestão de catástrofes, Shah Kamal, referindo que outras milhares já começaram hoje a ser retiradas para zonas mais seguras.

As autoridades do Bangladesh estão a preparar um número recorde de 12 mil abrigos, que terão a capacidade de acomodar, caso necessário, até 5,19 milhões de pessoas.

Esta ação também quis garantir que as pessoas deslocadas possam manter a distância física necessária dentro dos abrigos, devido à atual pandemia da doença covid-19.

Também por causa da pandemia do novo coronavírus, os deslocados terão de usar máscaras de proteção individual e serão incentivados a usar luvas no interior dos abrigos.

Na Índia, mais de 200 mil pessoas serão retiradas na terça-feira das zonas baixas de Bengala Ocidental, segundo referiu, também em declarações à AFP, o ministro daquele estado indiano, Manturam Phakira.

Na região vizinha de Odisha, as autoridades estão a preparar abrigos que poderão acomodar até 1,1 milhão de pessoas.

Os responsáveis locais de Odisha esperam, no entanto, que a zona seja pouco afetada pelo ciclone, antevendo que apenas 10% da capacidade dos abrigos seja utilizada.

Apesar da intensidade e da violência dos ciclones que atingem esta região estar a aumentar, em parte devido ao aquecimento global, o balanço de vítimas tem vindo a diminuir nos últimos anos.

Em 1999 um ciclone matou 10 mil pessoas na Índia e anos antes, em 1991, no Bangladesh houve mais de 139 mil mortes num fenómeno idêntico.

Contudo, nos últimos anos, medidas rápidas e coordenadas de evacuação das zonas mais perigosas e a construção de milhares de abrigos anticiclone têm contribuído para o decréscimo de vítimas.

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