May quer internet mais controlada, mas proposta não foi bem recebida

Conservadora diz haver ainda muita tolerância ao extremismo. Corbyn quer manter valores democráticos

A primeira-ministra, Theresa May, pediu ontem uma forte resposta contra o extremismo islâmico depois de três jihadistas terem atacado peões com uma carrinha na Ponte de Londres e esfaqueado outros perto do mercado de Borough, matando sete pessoas e deixando cerca de meia centena ferida. Este ataque deu-se a dias das legislativas antecipadas de quinta-feira e é o terceiro a assolar o Reino Unido em três meses. Mas May garantiu que as eleições vão realizar-se na data marcada, apesar de a campanha ter estado ontem suspensa.

"É tempo de dizer basta", afirmou ontem a líder do governo britânico. "Não podemos e não devemos fingir que as coisas podem continuar como estão", afirmou Theresa May, defendendo que há ainda muita tolerância em relação ao extremismo no Reino Unido e pedindo um endurecimento da estratégia antiterrorista que inclua penas de prisão mais pesadas para alguns crimes e acordos para regular a internet.

Pondo grande ênfase na questão da internet, May sublinhou que a web e as grandes empresas de internet criam "espaços seguros" para o crescimento do extremismo. "Não podemos dar a esta ideologia o espaço seguro que ela precisa para crescer - no entanto, é precisamente isso que a internet, e as grandes empresas que fornecem serviços online, dão", prosseguiu a governante.

Para a Open Rights Group (ORG), uma organização em prol dos direitos e liberdades digitais, a exigência de May pode levar a que a tais "redes maléficas" sejam empurradas para "locais mais sombrios" da internet. "A internet e e empresas como o Facebook não são a causa do ódio e violência, mas ferramentas que podem ser abusadas", refere a ORG.

Esta pretensão não é nova por parte de Theresa May. No manifesto eleitoral dos conservadores está a intenção de regulamentar a forma como a internet funciona, permitindo ao governo decidir o que é dito ou não online. "Algumas pessoas dizem que não cabe ao governo regulamentar no que diz repeito à tecnologia e à internet. Nós discordamos", diz o documento.

Na cimeira do G7, no final de maio, a líder britânica terá pedido também aos seus parceiros para formarem uma frente unida para regular o que empresas como a Google, Facebook ou Twitter permitem que seja publicado.

Mas o discurso de ontem da primeira-ministra britânica parece ter ido um passo mais além e levou algumas dessas empresas a garantir que as coisas não são como Theresa May diz. O Facebook, por exemplo, garantiu que não permite que as pessoas se envolvam em atividades terroristas, bem como comentários que expressem apoio ao terrorismo. "Queremos que o Facebook seja um ambiente hostil para os terroristas", afirmou Simon Milner, o responsável pela política de conduta desta rede social.

"Utilizando uma combinação de tecnologia e supervisão humana, trabalhamos ativamente para remover conteúdo terrorista da nossa plataforma logo que estamos a par que existe e, se ficamos a saber de uma emergência que envolve a segurança de alguém, ativamos os mecanismos legais", acrescentou a mesma fonte.

Já a rede social do pássaro azul foi taxativa: "Não há lugar para o terrorismo no Twitter". "Continuamos a expandir o uso de tecnologia como parte de uma aproximação sistemática para remover este tipo de conteúdo", referiu Nick Pickles, um dos responsáveis da empresa no Reino Unido.

Para Jeremy Corbyn, o líder dos trabalhistas, os valores democráticos dos britânicos devem ser mantidos. "Devemos resistir à islamofobia e à divisão e chegar a 8 de junho unidos na nossa determinação em mostrar que a nossa democracia é forte".

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