Mais de 200 voos cancelados em Hong Kong devido a protesto pró-democracia

Greve geral convocada pelo movimento pró-democracia já cancelou mais de 200 voos de e para Hong Kong esta segunda-feira. Dia de protesto fica marcado por greve que paralisou também parcialmente o metro na cidade

Um terço dos controladores de tráfego aéreo juntou-se ao protesto contra as emendas à lei da extradição e está a condicionar fortemente as operações no Aeroporto Internacional de Hong Kong, segundo a emissora pública RTHK.

Aquele que é um dos aeroportos mais movimentados do mundo reduziu drasticamente as suas operações de voo e está a utilizar apenas uma das duas habituais pistas.

A Cathay Pacific e outras companhias aéreas domésticas, como a Hong Kong Airlines, foram as mais afetadas pelos cancelamentos.

Os protestos desta segunda-feira, após dois dias de confrontos entre manifestantes e a polícia, já causaram a suspensão total ou parcial de pelo menos oito linhas de metro, indicou o jornal South China Morning Post (SCMP).

Esta é a terceira vez em três semanas que os manifestantes interrompem o serviço do metropolitano.

O serviço de comboio rápido que liga o centro da cidade ao aeroporto também foi suspenso.

Esta manhã, a líder do executivo de Hong Kong disse que a cidade está "à beira de uma situação muito perigosa" devido aos protestos, mas que o Governo está determinado em garantir a ordem pública.

Carrie Lam sublinhou que as ações de protesto estão a atingir sobretudo a classe trabalhadora, a desafiar o princípio "um país, dois sistemas" e a prosperidade da cidade, onde se vive o caos e a violência.

Hong Kong vive há dois meses um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma "erosão das liberdades" na antiga colónia britânica.

Depois de mais um domingo de confrontos, a que se segue agora a greve-geral, o governo central de Pequim fez saber, através da agência oficial de notícias Xinhua, que não tolerará a continuação da situação que se vive em Hong Kong.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas", precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

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