Macron sobre Simone Veil: "Que as suas lutas continuem a fluir nas nossas veias"

Sobrevivente do Holocausto, ex-ministra da Saúde e antiga presidente do Parlamento Europeu já está no Panteão francês, junto com o marido, Antoine Veil.

Centenas de pessoas encheram este domingo as ruas de Paris para uma última homenagem a Simone Veil, sobrevivente do Holocausto, ícone dos direitos das mulheres e defensora da União Europeia, que morreu há um ano e a partir de agora irá repousar no Panteão francês junto com o marido, Antoine.

"A França ama Simone Veil pelos seus combates, sempre justos e necessários", disse o presidente francês, Emmanuel Macron, durante a cerimónia, destacando esta personalidade que "tornou a França maior e mais forte".

"Queríamos que Simone Veil entrasse no Panteão sem esperar que gerações passassem para que os seus combates, a sua dignidade, a sua esperança continuem a ser uma bússola nos tempos difíceis pelos quais passamos", acrescentou Macron.

Sobrevivente dos campos de concentração nazis, destacou-se enquanto ministra da Saúde francesa na legalização do aborto em 1974 e foi a primeira pessoa eleita diretamente para a presidência do Parlamento Europeu, em 1979.

Três percursos que Macron destacou durante a cerimónia, na qual os caixões de Simone Veil e do marido entraramno Panteão cobertos com duas bandeiras francesas e sob um tapete azul, "a cor da paz, das Nações Unidas e, claro, da Europa".

"Ela, que viveu a indescritível experiência da selvajaria e da arbitrariedade, sabia que só o diálogo e a concórdia entre os povos impedem que Auschwitz renasça sobre as cinzas frias das suas vítimas. Ela tornou-se combatente da Europa", disse. "Devemos a Simone Veil não deixar que as dúvidas e as crises que atingem a Europa atenuem a vitória gritante que conquistámos há 70 anos sobre as divisões e os erros dos séculos passados", acrescentou.

"Simone Veil sabia que na nossa luta dos direitos humanos, metade da humanidade continua obstinadamente a ser esquecida: as mulheres", afirmou Macron na cerimónia. "Com a Simone Veil, entram aqui estas gerações de mulheres que fizeram a França sem que a nação lhes ofereça o reconhecimento e a liberdade que merecem. Que hoje seja feita justiça a todas elas", indicou.

"Que as suas lutas, madame, continuem a fluir nas nossas veias, a inspirar a nossa juventude e a unir o povo de França", disse Macron. "Que possamos, continuamente, nos mostrar dignos como cidadãos e como povo dos riscos que você assumiu e dos caminhos que você traçou, senhora. Porque é nesses riscos e nesses caminhos que a França é verdadeiramente a França".

Os caixões de Simone Veil, que morreu a 30 de junho de 2017, e do seu marido, falecido em 2013, vão ficar na nave do Panteão até segunda-feira, quando serão colocados na cripta ao lado de Jean Moulin (herói da Resistência francesa), do escritor André Malraux e de Jean Monnet, o "pai da Europa".

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