Macron no Burkina Faso: "O vosso presidente foi arranjar o ar condicionado"

A visita de Emmanuel Macron ao Burkina Faso ficou marcada pela intervenção humorística na universidade de Uagadugu

O presidente francês foi alvo de críticas após ter feito humor com o homólogo do Burkina Faso. "Ridículo", respondeu a quem o acusou de ofender Roch Marc Kaboré. O episódio aconteceu depois do discurso que Emmanuel Macron proferiu na Universidade de Uagadugu, na terça-feira, sobre a nova era das relações entre Paris e África.

Durante o período de perguntas dos estudantes, uma universitária questionou quando é que os estudantes poderiam apreciar o ar condicionado do anfiteatro. A pergunta estava relacionada com os constantes cortes de energia na capital do Burkina Faso e com a central de energia solar, financiada pela França, inaugurada no dia seguinte por Macron. "Está a falar comigo como se eu ainda fosse um poder colonial? Mas eu não quero tratar da eletricidade nas universidades de Burkina Faso! Esse é o trabalho do vosso presidente", respondeu o francês, perante risos e aplausos generalizados.

O presidente do Burkina Faso, Roch Marc Kaboré, encontrava-se ao lado de Macron. Pouco depois, Kaboré levantou-se e ausentou-se da sala por uns minutos. Macron voltou à carga: "Veem? Saiu para consertar o ar condicionado", para risada geral.

Não satisfeito, e já com o homólogo de regresso ao lugar, o presidente gaulês disse: "Agora que reparou o ar condicionado do anfiteatro, ele vai deixar a zona franco, vão ver." O líder francês referia-se à moeda comum de 12 Estados de África ocidental, o franco CFA. Nos últimos meses surgiram cada vez mais críticos desta moeda. O tesouro público francês centraliza as reservas de câmbio daqueles países em nada menos do que 50% do valor das exportações. Esse depósito é uma garantia que permite a Paris convertê-las em francos CFA, mas é também um negócio. Sobre esse assunto, Macron declarou, sem gracejos, que o destino do franco CFA deve ser decidido pelos países que fazem parte dessa união e não a França.

As declarações humorísticas de Emmanuel Macron foram descritas pelo círculo de Kaboré como um "não assunto". Mas vários políticos burquinos não gostaram da forma demasiado descontraída com que o jovem francês se dirigiu "a um presidente mais velho", como desabafaram ao Le Monde. Outro aceitou o sentido de humor "na presença do presidente, mas na ausência...". As redes sociais também deram eco ao sucedido. O comentador Toussaint Alain, por exemplo, disse que tratar Kaboré por tu é uma condescendência e fazer piadas na sua ausência é uma humilhação.

Numa entrevista transmitida quarta-feira à noite, o presidente de 39 anos classificou as acusações de "ridículas".

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