Macron insultado e vaiado nas celebrações do 14 de julho

Os protestos aconteceram quando o presidente francês passou em revista as tropas na Avenida dos Campos Elísios durante as celebrações do Dia da Tomada da Bastilha. Entre o público que assistia ao desfile militar houve quem estendesse bandeiras amarelas numa alusão ao movimento dos coletes amarelos

O presidente da França, Emmanuel Macron, foi assobiado, vaiado e insultado este domingo quando fazia a revista protocolar às tropas na Avenida dos Campos Elísios durante as celebrações do Dia da Tomada da Bastilha.

Segundo a rádio RFI, entre o público que assistia ao desfile militar houve quem estendesse bandeiras amarelas numa alusão ao movimento dos coletes amarelos, que ao longo de meses paralisou Paris e outras cidades francesas com manifestações, muitas das quais com confrontos violentos.

O dia 14 de Julho é comemorado com o tradicional desfile militar e este ano homenageia a cooperação europeia contando com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Os coletes amarelos prometeram estar presentes durante as celebrações e fizeram-se ouvir quando Macron descia a Avenida dos Campos Elísios a bordo de um carro militar durante o tradicional desfile do feriado nacional francês de 14 de julho.

Pelo menos dois pequenos grupos do movimento dos coletes amarelos, que protestam contra a política social e fiscal do chefe de Estado ,vaiaram Emmanuel Macron.

Todos largaram os tradicionais coletes, provavelmente por uma questão de discrição num quarteirão patrulhado pela polícia, mas alguns agitaram balões amarelos e gritaram algumas palavras contra o presidente.

Uma das figuras do movimento dos coletes amarelos, o lusodescendente Jérôme Rodrigues foi detido antes do início da parada militar

As figuras emblemáticas do movimento dos coletes amarelos Maxime Nicolle, Eric Drouet e o lusodescendente Jérôme Rodrigues foram identificados e detidos pela polícia francesa ainda antes do início da parada militar.

A polícia terá justificado que estes três membros do movimento coletes amarelos estariam a participar numa manifestação interdita pelas autoridades, segundo diversos meios de comunicação franceses.

Tendo em vista a parada militar e a possibilidade de degeneração de uma manifestação durante o evento, as autoridades francesas proibiram protestos nos Campos Elísios neste domingo.

Após passar as tropas em revista na avenida parisiense, acompanhado pelo Chefe do Estado Maior, Macron dirigiu-se à tribuna presidencial na praça da Concórdia, onde o esperavam muitos dirigentes europeus, entre os quais a chanceler alemã, Ângela Merkel, e o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, o vice-primeiro-ministro britânico David Lidington, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

Macron e os líderes europeus assistiram a uma demonstração de inovações tecnológicas na área da defesa, nas quais se incluíram drones, veículos autónomos e a apresentação do Flyboard Air, uma plataforma voadora inventada pelo francês Franky Zapata, que desceu dos céus a pilotar o equipamento.

Este é o terceiro desfile do 14 de julho para Emmanuel Macron desde a sua eleição, em maio de 2017. "Em nenhuma altura, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, foi a Europa tão necessária. A construção de uma Europa de defesa, em conexão com a Aliança Atlântica, que celebra 70 anos, é para a França uma prioridade e é o fio condutor deste desfile", afirmou o presidente francês, citado pelo jornal Le Monde .

A parada militar teve como mote "Agir em conjunto" para homenagear as forças militares dos países que fazem parte da Iniciativa Europeia de Intervenção. No total, desfilaram na Avenida dos Campos Elísios 4300 militares.

Atualizado às 13:02.

Com Lusa e Reuters.

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