"Machismo mata". Como a morte de Lucía Pérez mobilizou as argentinas

Jovem de 16 anos foi drogada, violada e torturada até à morte. Mulheres argentinas fizeram greve simbólica e foram para a rua gritar contra a violência sexual

Lucía Pérez. Foi por ela que milhares de mulheres saíram ontem à rua, em Buenos Aires, debaixo de chuva intensa. Por Lucía e pelas centenas de mulheres que, todos os anos, morrem na Argentina às mãos dos namorados, maridos ou mesmo desconhecidos, vítimas de agressões sexuais. Mesmo que, em 2014, durante o mandato de Cristina Kirchner, tenha sido introduzida legislação que penaliza especificamente o crime de feminicídio, o número de mulheres mortas não para de subir. Daí que, conhecido o caso de Lucía, as argentinas tenham decidido mobilizar-se em força: decretaram uma greve simbólica, de uma hora, e vieram para a rua com cartazes onde se lia em letras garrafais: "Machismo Mata". Ou "Vim porque estão a matar mulheres que podiam ser minhas irmãs, minhas amigas".

Lucía tinha 16 anos. Foi raptada, drogada, violada, penetrada com objetos e torturada no início do mês de outubro na cidade costeira de Mar del Plata. Segundo a procuradora María Isabel Sánchez, a violência do ataque foi tal que a jovem sofreu uma paragem cardíaca. "Foi um ato de agressão sexual inumano", sublinhou a responsável.

Depois da agressão, os violadores de Lucía lavaram-na, para limpar as provas do crime, e deixaram-na no hospital, onde a jovem viria a morrer pouco depois. "Nunca vi nada assim", admitiu Sánchez à imprensa local. Segundo o The Guardian, não é incomum que os autores ateiem fogo às vítimas após o crime.

De acordo com uma organização não-governamental que ajuda vítimas de violência de género, La Casa del Encuentro, a cada 30 horas é morta uma mulher na Argentina. Com a violência a aumentar, ontem foram várias as mulheres que, por todo o país, se uniram à marcha da capital Buenos Aires. O protesto extravasou fronteiras, já que vários grupos ativistas incentivaram no Twitter o apoio à causa, usando a hashtag #NiUnaMenos. Houve marchas semelhantes no México, El Salvador, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai.

"É uma marcha contra o feminicídio", disse Elena Highton de Nolasco, juíza do Supremo Tribunal, à imprensa na véspera da manifestação. "Os casos de feminicídio estão a crescer, a tornar-se mais violentos, mais perversos. Recebemos hoje mesmo a notícia de que houve 19 feminicídios nos últimos 18 dias", sublinhou.

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