Lusodescendente Devin Nunes deixa liderança da investigação à ingerência russa nas eleições

Lusodescendente republicano afasta-se depois de vários grupos ativistas reclamarem junto da Comissão de Ética do Congresso

Devin Nunes, o lusodescendente republicano que preside à Comissão de Serviços de Informação da Câmara dos Representantes, vai afastar-se temporariamente da investigação à ingerência russa nas eleições dos EUA.

Em comunicado, citado pelas agências internacionais, Nunes, congressista da Califórnia, informou que vários grupos de ativistas de esquerda fizeram queixa dele junto da Comissão de Ética do Congresso, por ter revelado informações confidenciais.

Alegando que as acusações são falsas e têm motivação política, o lusodescendente referiu que é no "melhor interesse" da Comissão que se afasta, deixando em seu lugar o congressista Mike Conaway a liderar a investigação à interferência russa.

Devin Nunes assegura ainda que irá continuar a cumprir outras obrigações junto da Comissão de Serviços de Informação e que quer falar à Comissão de Ética o mais brevemente possível, para se defender das acusações que lhe são feitas.

Os democratas têm criticado Nunes pela forma como está a gerir a investigação, que analisa a eventual ingerência russa nas eleições mas também potenciais ligações do presidente Donald Trump a Moscovo.

O congressista integrou a equipa de transição do magnata do imobiliário antes de este ter assumido a Presidência norte-americana, no passado dia 20 de janeiro.

"Chegámos a um ponto, depois dos acontecimentos da semana passada, em que é muito difícil manter a credibilidade das investigações", dissera na semana passada o democrata e também membro da comissão dos serviços de informações Adam Schiff.

Há duas semanas, Devin Nunes foi sozinho à Casa Branca e, sem avisar previamente os membros da comissão, anunciou numa conferência de imprensa de que tinha informado o Presidente Trump sobre a possibilidade das suas comunicações terem sido intercetadas, de "forma acidental", durante operações de escuta de rotina a comunicações a outros líderes políticos.

Nunes não revelou como obteve tais dados, afirmando apenas que tinha recebido as informações de uma fonte anónima com a qual conversou dentro das instalações da Casa Branca. Tais revelações levantaram dúvidas sobre a independência e a imparcialidade do congressista republicano.

As críticas também chegaram do partido republicando, com o senador republicano John McCain a afirmar que Nunes tinha de explicar porque foi sozinho à Casa Branca para abordar matérias sobre uma investigação bipartidária do Congresso.

"Estou neste meio há algum tempo e nunca ouvi falar de tal coisa", disse McCain na altura, em declarações a um programa da estação de televisão norte-americana CBS.

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