Trump retira nomeação de líder para as secretas após notícias de que exagerou o currículo

John Ratcliffe, o nome escolhido por Trump para os serviços de informações, terá "dourado" o seu currículo ao longo dos anos. Presidente norte-americano desistiu entretanto da nomeação para o poupar e à família "a meses de calúnias e difamações".

John Ratcliffe, o homem escolhido por Donald Trump para liderar os serviços secretos norte-americanos, está a ser acusado de "dourar" o seu currículo, exagerando o seu papel em casos relacionados com a segurança interna e combate ao terrorismo. Presidente dos EUA desistiu entretanto da nomeação.

"O nosso grande congressista norte-americano John Ratcliffe está a ser tratado de forma muito injusta pelos media. Em vez de passar por meses de calúnias e difamações, expliquei a John que seria miserável para ele e para a sua família lidarem com estas pessoas. O John decidiu por isso continuar no Congresso onde tem feito um trabalho excelente a representar as pessoas do Texas e do nosso país. Vou anunciar a minha nomeação em breve", escreveu Trump em duas mensagens no Twitter.

Ratcliffe, um dos principais apoiantes do presidente norte-americano no Partido Republicano, foi anunciado - no Twitter - como sucessor de Dan Coats, que apresentou a demissão após dois anos e meio no cargo, marcados por vários episódios de divergências públicas com Trump. Coats deixará a direção dos serviços secretos a 15 de agosto.

Congressista do Texas, apontado como um dos nomes mais conservadores do Partido Republicano, Ratcliffe ficou debaixo de fogo, por ter deturpado dados do seu percurso. A ABC avança que Ratcliffe terá exagerado largamente o seu papel em dois casos que envolvem o financiamento do grupo terrorista Hamas. A ABC diz não ter encontrado qualquer registo público que relacione o congressista com estes dois casos, e pessoas que trabalharam diretamente nos dois processos dizem não recordar qualquer envolvimento de Ratcliffe. Também o Washington Post aponta citações antigas do congressista, reclamando os créditos de um "dos maiores casos de financiamento de terrorismo" no país. Esta semana, o gabinete de Ratcliffe já recuou, dizendo agora que o papel do então procurador passou por "investigar assuntos relacionados" com o caso.

O Washington Post - e a ABC - também questionam outra alegação de Ratcliffe, que disse ter detido mais de 300 imigrantes ilegais num só dia, enquanto procurador federal do Texas. Uma investigação do diário, que cita os registos judiciais sobre este caso e vários envolvidos, conclui que isso nunca aconteceu. O caso relacionava-se com trabalhadores ilegais que usariam números falsos da Segurança Social, mas segundo o jornal norte-americano apenas 45 pessoas foram levadas a tribunal pelo gabinete de Ratcliffe, e seis dos casos foram arquivados de imediato, em dois deles porque os suspeitos detidos eram, afinal, cidadãos americanos.

A escolha de Ratcliffe tem a oposição dos senadores democratas e, segundo a imprensa norte-americana, um apoio muito pouco entusiasta dos republicanos. O Washington Post diz também, que entre antigos e atuais agentes dos serviços de informações, Ratcliffe é apontado como o menos qualificado dos nomes que até agora ocuparam a coordenação das agências de serviços secretos dos Estados Unidos - um cargo criado depois do 11 de setembro, para coordenar todos os serviços de informações do país.

(Notícia atualizada às 20h20 com Trump a retirar nome de Ratcliffe)

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