Líder do Parlamento Europeu convida Von der Leyen a clarificar nomes de pastas

David Sassoli espera que, na próxima quinta-feira, a presidente eleita da Comissão Europeia consiga "clarificar porque há pastas que receberam o nome que receberam".

O presidente do Parlamento Europeu convidou Ursula von der Leyen a reunir-se com a Conferência de Presidentes para clarificar denominações dadas a pastas da Comissão Europeia, nomeadamente a polémica Proteção do Nosso Modo de Vida Europeu.

"Os grupos políticos [do Parlamento Europeu] fizeram alguns comentários sobre nomes dados a alguns portefólios da futura Comissão, então tomei a liberdade de pedir à senhora Von der Leyen [presidente eleita da Comissão Europeia] para participar na Conferência de Presidentes, o que acontecerá na próxima semana, em Estrasburgo", anunciou David Sassoli.

O presidente da assembleia europeia concedeu que não é "nenhum segredo que há objeções a alguns dos nomes dos portefólios apresentados pela senhora Von der Leyen", ao ser reiteradamente questionado sobre a polémica vice-presidência para a Proteção do Nosso Modo de Vida Europeu, atribuída ao grego Margaritis Schinas, o anterior porta-voz principal da Comissão de Jean-Claude Juncker.

"Algumas denominações de pastas deram azo a confusão. Não vi palavras chave como migrações, cultura, ou investigação. Para mim, são palavras muito importantes. Alguns dos comentários que foram feitos -- e alguns foram-no publicamente -- devem ser tidos em conta. Houve alguma ligeireza na escolha dos títulos das pastas e acabámos com estes nomes, o que não significa que algumas das palavras que faltam não possam ser incorporadas", defendeu.

Sassoli espera agora que, na próxima quinta-feira, a presidente eleita da Comissão Europeia consiga "clarificar porque há pastas que receberam o nome que receberam".

A designação da pasta atribuída a Schinas tem sido alvo de polémica em Bruxelas, com vários eurodeputados a considerarem que a denominaçãoProteção do Nosso Modo de Vida Europeu, numa pasta que integra o pelouro das migrações, alimenta o discurso da extrema-direita e tem uma conotação racista/xenófoba.

O tema esteve também em destaque na conferência de imprensa diária da cessante Comissão Europeia, com a porta-voz do executivo comunitário a negar as informações veiculadas, entre outros, pelo diário espanhol El País, de que Ursula von der Leyen iria alterar a denominação da pasta do grego.

"Não tenho qualquer alteração de nome ou qualquer alteração para anunciar em relação ao que vos foi apresentado pela presidente Von der Leyen na terça-feira", declarou Mina Andreeva.

Falando em nome da equipa de transição da presidente eleita, a porta-voz indicou que a política alemã está a acompanhar o "debate vivo em torno de diferentes assuntos e, obviamente, todos os argumentos apresentados num debate que vai além do nome das pastas".

"Estes serão analisados, mas neste momento não há nenhuma decisão rápida", completou, remetendo eventuais desenvolvimentos para as audições dos comissários indigitados no Parlamento Europeu, que vão decorrer entre 30 de setembro e 08 de outubro.

Andreeva negou ainda que o presidente em funções, Jean-Claude Juncker, tenha criticado a designação eleita por Von der Leyen para a vice-presidência do seu anterior porta-voz, precisando que as declarações do político luxemburguês à Euronews foram retiradas do contexto.

"Aquilo que o presidente disse foi que discorda vivamente com a interpretação dada ao nome dessa pasta", acrescentou.

À Euronews, Juncker disse não gostar "da ideia de que o modo de vida europeu se opõem à imigração". "Aceitar aqueles que vêm de longe faz parte do modo de vida europeu", argumentou o ainda presidente da Comissão.

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

Onde pára a geração Erasmus? 

A opinião em jornais, rádios e televisões está largamente dominada por homens, brancos, nascidos algures no século passado. O mesmo se passa com jornalistas e políticos que fazem a maior parte dos comentários. Este problema está há muito identificado e têm sido feitos alguns esforços para se chegar a uma maior diversificação desta importante função dos órgãos de comunicação social. A diversidade não é receita mágica para nada, mas a verdade é que ela necessariamente enriquece o debate. Quando se discute o rendimento mínimo de inserção, por exemplo, o estatuto, a experiência, o ponto de vista importa não só dentro da dicotomia entre esquerda e direita, mas também consoante as pessoas envolvidas estejam mais ou menos directamente ligadas aos efeitos das políticas em discussão. Esta constatação é demasiadamente banal para precisar de maior reflexão. Acontece que, paradoxalmente ou não, se tem assistido a uma maior diversificação social entre a classe política activa do que propriamente entre aqueles que sobre ela opinam.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Na hora dos lobos

Na ação governativa emergem os sinais de arrogância e de expedita interpretação instrumental das leis. Como se ainda vivêssemos no tempo da maioria absoluta de um primeiro-ministro, que o PS apoiou entusiasticamente, e que hoje - acusado do maior e mais danoso escândalo político do último século - tem como único álibi perante a justiça provar que nunca foi capaz de viver sem o esbulho contumaz do pecúlio da família e dos amigos. Seria de esperar que o PS, por mera prudência estratégica, moderasse a sua ação, observando estritamente o normativo legal.