Líder de Hong Kong deixa cair oficialmente lei da extradição

Carrie Lam cumpre uma das cinco exigências dos manifestantes, que estão nas ruas desde junho.

A líder do governo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou a retirada formal da lei de extradição que esteve na origem dos protestos que duram há vários meses e deixaram a cidade numa das piores crises em décadas.

A informação tinha sido avançada algumas horas antes por vários media locais e tinha sido confirmada por uma fonte governamental à Reuters.

O anúncio foi feito numa declaração transmitida pela televisão, com Carrie Lam a defender que visa ultrapassar uma situação "altamente vulnerável e perigosa" e encontrar soluções. "A violência persistente está a prejudicar as fundações da nossa sociedade, especialmente o Estado de Direito", disse Lam, que prometeu diálogo.

Os protestos na ex-colónia britânica começaram em março mas ganharam força em junho por causa da lei, que teria permitido a extradição para a China continental, onde os tribunais são controlados pelo Partido Comunista. Mas, desde então, as manifestações evoluíram para um protesto por mais democracia.

O cancelamento oficial da lei da extradição, suspensa há vários meses, é apenas uma das cinco exigências dos manifestantes, que pedem também uma comissão de inquérito para investigar a conduta policial durante os protestos, amnistia aos que estão detidos, o fim da definição dos protestos como motins e retomar o programa de reformas políticas.

Mas os manifestantes já disseram que não vão desistir da luta. Joshua Wong, um dos jovens ativistas que já foi preso por protestar, disse que a decisão de Lam "vem tarde demais" e dizendo desconfiar da sua sinceridade. Criticou ainda a brutalidade policial.

"O fracasso repetido de Carrie Lam em entender a situação faz com que este anúncio seja totalmente desadequado. Ela precisa de responder a todas as cinco exigências: parem a perseguição, parem de nos considerarem como responsáveis por motins, um inquérito da polícia independente e eleições livres!", escreveu no Twitter.

A soberania de Hong Kong foi entregue à China sob a política "um país, dois sistemas", que permite manter várias liberdades que não existem no continente, como a liberdade de protesto e um sistema legal independente.

A notícia de que Carrie Lam retiraria formalmente a lei de extradição teve efeito na bolsa de Hong Kong, que fechou 3,90% mais alta.

(Notícia atualizada às 13.40 com declarações de Carrie Lam e Joshua Wong)

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