Labour. Número 2 sai, deputado declara apoio a Boris Johnson e aliado de Corbyn é afastado

O vice de Jeremy Corbyn afasta-se, um deputado que saiu do Partido Trabalhista declarou apoio aos conservadores nas eleições de dezembro, e um deputado apoiante de Jeremy Corbyn e acusado de antissemitismo​​​​ não se pode candidatar.

Às sondagens desfavoráveis, o Partido Trabalhista soma agora notícias que mostram dificuldades em apresentar uma mensagem de unidade e de moderação. Na quarta-feira à noite, o número dois do partido, Tom Watson, anunciou que se retira ao fim de 35 anos de atividade política. Ian Austin, deputado que abandonou o Partido Trabalhista em fevereiro para se candidatar como independente, instou os eleitores a apoiarem o primeiro-ministro conservador Boris Johnson em vez do líder trabalhista nas eleições marcadas para dia 12 de dezembro. No outro lado do espectro, Chris Williamson, deputado suspenso pelo partido por alegações de antissemitismo, viu a Comissão Nacional Executiva dos trabalhistas decidir que não pode concorrer pelo seu círculo de Derby North.

Na carta enviada a Jeremy Corbyn, o vice-líder e deputado Tom Watson informa que a decisão de abandonar os cargos "é pessoal, não é política".

Watson, que garante estar comprometido com o partido na campanha iniciada ontem, era uma figura de contrapeso em relação a Corbyn e à ala de esquerda. Europeísta, defendeu a realização de um segundo referendo sobre o Brexit. Quanto ao partido, foi um dos maiores críticos no que respeita à forma como a direção lidou com as acusações de antissemitismo.

Em março de 2018, o Conselho de Deputados Judeus Britânicos e o Conselho de Liderança Judaica afirmaram que o líder trabalhista e da oposição se colocava reiteradamente ao lado de antissemitas.

Também sobre Israel e a Palestina Watson e Corbyn tinham opiniões divergentes, com o primeiro a pertencer à ala dos amigos de Israel, e o segundo ser um apoiante de longa data da causa palestiniana.

Corbyn é "inapto"

Eleito por Dudley North, Ian Austin foi um dos nove deputados trabalhistas que em fevereiro abandonaram o partido, denunciando a deriva extremista ​​​​e intolerantes da direção de Corbyn.

Agora lançou uma campanha contra o líder do partido e, de forma mais surpreendente, a favor dos tories. "Não quero que Jeremy Corbyn possa fazer ao país o que fez ao Partido Trabalhista", disse em entrevista à estação de rádio BBC 4.

Austin disse que Corbyn não conseguiu combater o antissemitismo no partido e que as suas políticas económicas de esquerda iriam custar empregos e colocar o investimento em risco. Criticou, além disso, os trabalhistas no que respeita ao Brexit, quando dizem que irão renegociar rapidamente o acordo de saída da União Europeia e submetê-lo a um novo referendo. "Uma completa fantasia."

"Eu não diria que Boris Johnson é inapto para ser nosso primeiro-ministro da maneira que eu digo isso sobre Jeremy Corbyn. Eu acho que o país tem uma grande escolha a fazer, e eu acho que Jeremy Corbyn é completamente incapaz de liderá-lo", afirmou este homem que nega ser conservador.

Austin, cujo pai adotivo foi um refugiado judeu que fugiu dos nazis, disse que não podia aceitar o que ele disse ser a ascensão do antissemitismo no Partido Trabalhista. "O mais vergonhoso de tudo para um partido que tem um passado orgulhoso de lutar pela igualdade e contra o racismo, o Partido Trabalhista foi envenenado com racismo antijudaico sob a sua liderança. É uma desgraça completa", lamentou.

Desde 2016 que os trabalhistas têm negado acusações de antissemitismo, logo após Corbyn se ter tornado seu líder. Os trabalhistas disseram em julho que eram "implacavelmente contra o antissemitismo".

No entanto, o partido tem entre os seus militantes pessoas como o deputado Chris Williamson, que fora suspenso do partido, acusado de antissemitismo. Após a Comissão Nacional Executiva do partido ter confirmado que Williamson, por estar suspenso, não se pode recandidatar ao cargo, este anunciou a saída do partido. Ao fim de quase 44 anos como militante, irá concorrer como independente.

Williamson, um corbynista que defende o regime venezuelano, nega as acusações e queixa-se de "caça às bruxas". Mas em fevereiro foi suspenso do partido após ter afirmado que o Labour tinha sido "demasiado apologético" em resposta às críticas de antissemitismo. Nesse mesmo mês, Corbyn havia defendido Williamson: "É um deputado trabalhista muito bom e muito eficaz. É um activista anti-racista muito forte. Ele não é antissemita de forma alguma".