Kim Jong-un convida Donald Trump para cimeira e este aceita

O dirigente do regime norte-coreano transmitiu, através de responsáveis da Coreia do Sul, um convite ao presidente dos Estados Unidos para a realização de uma cimeira. O encontro deverá ser em maio.

O conselheiro de segurança nacional da Coreia do Sul esteve reunido nesta quinta-feira com o presidente Donald Trump na Casa Branca, tendo-lhe comunicado um convite formulado pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, para a realização de uma cimeira, disseram fontes da presidência americana à Fox News. O presidente Trump aceitou o convite. A reunião deve suceder em maio.

O conselheiro sul-coreano, Chung Eui-yong, anunciou o compromisso de Kim Jong-un de que o seu país estaria pronto a terminar com os testes nucleares e os disparos de mísseis balísticos. "Kim comprometeu-se a não realizar mais testes nucleares ou de mísseis", disse Chung Eui-yong aos jornalistas. "Está empenhado na desnuclearização" da península, assegurou Chung Eui-yong.

O compromisso de Kim Jong-un constaria de uma carta dirigida ao presidente americano e que foi entregue a Trump pelo responsável sul-coreano, referia a CNN, citando fontes diplomáticos. A carta teria sido entregue ao responsável sul-coreano na passada segunda-feira pelo dirigente da Coreia do Norte.

A realização de um "importante anúncio" fora referido mais cedo durante o dia pelo próprio Trump. No passado, por mais de uma vez, Trump mostrou disponibilidade para se encontrar com Kim Jong-un. Fontes diplomáticas americanas mostraram algum ceticismo sobre os resultados do encontro, sublinhando que, no passado, o regime de Pyongyang avançou para negociações sobre o seu programa nuclear para, mais tarde, voltar atrás nos compromissos assumidos.

No encontro com os jornalistas, Chung Eui-yong sublinhou que a Coreia do Sul, os EUA e "os nossos parceiros permaneceremos unidos e não repetiremos os erros do passado, e a pressão continuará a fazer-se sentir sobre a Coreia do Norte até que esta faça corresponder as palavras com atos".

Após a divulgação da notícia do encontro, a porta-voz da Casa Branca explicou que todas as sanções em vigor irão manter-se e "o máximo de pressão irá manter-se" sobre Pyongyang.

Para finais de abril, está agendada uma cimeira entre os presidentes das duas Coreias na localidade de Panmunjon, na zona desmilitarizada na península coreana. Ainda em abril, estão agendados exercícios militares conjuntos Coreia do Sul-Estados Unidos que o responsável sul-coreano referiu que se mantêm e irão decorrer como previsto.

O conselheiro de segurança nacional americano, general H. R. McMaster, estará na próxima segunda-feira no Conselho de Segurança da ONU para abordar a questão do nuclear norte-coreano.

Nos últimos anos, o regime da Coreia do Norte multiplicou os disparos de mísseis balísticos e testes nucleares, levando os Estados Unidos e o Conselho de Segurança da ONU a imporem sanções cada vez mais duras para Pyongyang.

O Presidente dos Estados Unidos afirmou entretanto que "estão a ser feitos grandes progressos" em relação ao processo de desnuclearização da Coreia do Norte, confirmando ainda que está a ser planeada uma reunião entre os dois homólogos.

"Kim Jong Un [Presidente da Coreia do Norte] falou sobre a desnuclearização (...) não apenas sobre uma suspensão", escreveu o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sua conta oficial da plataforma de mensagens Twitter.

Donald Trump afirmou ainda que "estão a ser feitos grandes progressos, mas as sanções permanecerão até se chegar a um acordo. A reunião está a ser planeada!" e rejubilou-se pelo facto de ultimamente não terem sido "feitos testes de mísseis pela Coreia do Norte".

Japão diz que sanções deram frutos

O primeiro-ministro japonês afirmou que as sanções à Coreia do Norte foram preponderantes para a decisão de Pyongyang em dialogar com os Estados Unidos para suspender os seus programas nucleares.

"Agrada-me a mudança da Coreia do Norte em querer realizar uma reunião para discutir a desnuclearização, que é o resultado da alta pressão feita pelo Japão, Estados Unidos, na Coreia do Sul e pelos restantes membros da comunidade internacional", declarou o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe após uma conversa telefónica com o presidente dos EUA,em que este informou o primeiro-ministro japonês sobre a possibilidade da Coreia do Norte de suspender o seu programa nuclear de forma a iniciar negociações com os Estados Unidos.

O primeiro-ministro japonês anunciou que viajará para os Estados Unidos em abril para se encontrar com Trump de forma a analisarem os contactos.

Shinzo Abe enfatizou que concorda "totalmente" com a forma como Donald Trump tem vindo a lidar com o problema norte-coreano.

China saúda encontro

O governo da República Popular da China também saudou o anúncio da reunião.

"Saudamos os sinais positivos dados pelos Estados Unidos e pela Coreia do Norte no sentido de um diálogo direto", disse hoje o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Geng Shuang, numa conferência de imprensa semanal, em Pequim.

"O próximo passo é a manutenção deste momento positivo, alcançar sinergias para o trabalho conjunto no sentido de restaurar a paz e a estabilidade na península da Coreia", acrescentou.

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