Jovens destruíram monumento a Cristóvão Colombo, "símbolo do terrorismo"

Vídeo mostra jovens a destruírem o monumento com uma marreta

Um monumento com mais de 200 anos em memória de Cristóvão Colombo foi esta segunda-feira à noite vandalizado em Baltimore, nos Estados Unidos. O ato de vandalismo foi filmado pelos autores, que dizem estar a combater "a cultura da supremacia branca".

No vídeo, divulgado na conta do YouTube Popular Resistance (Resistência Popular, em português) veem-se dois jovens encapuzados a atacar o monumento com uma marreta. Exibem dois cartazes que dizem "o futuro é a justiça económica e racial" e "racismo: deitem-no abaixo".

Os jovens explicam que escolheram destruir aquele monumento porque "Cristóvão Colombo simboliza a invasão inicial do capitalismo europeu no hemisfério ocidental". "Colombo iniciou uma onda de terrorismo, homicídio, genocídio, violações, escravatura, degradação ecológica e exploração capitalista nas Américas que durou séculos", diz um narrador no vídeo.

"A onda de destruição de Colombo continua a ser suportada pelos indígenas, afro-americanos e pessoas castanhas", dizem os jovens, que partiram a placa onde estava inscrito o texto: "Consagrado à memória de Cristóvão Colombro Oct. XII MDCC VIIIC". "Estas estátuas são uma forma extra de nos esfregarem isso na cara", continuam.

O debate sobre as estátuas e símbolos no espaço público emergiu nos Estados Unidos depois de Dylann Roof, um jovem supremacista fascinado com a Confederação, assassinar, em junho de 2015, nove afro-americanos numa igreja em Charleston, na Carolina do Sul.

Muitas destas estátuas em homenagem a heróis da Confederação têm sido vandalizadas e retiradas nos Estados Unidos. Na semana passada, um grupo de manifestantes derrubou uma estátua em honra dos soldados confederados em Durham, na Carolina do Norte. Os manifestantes ataram uma corda ao pescoço da estátua e derrubaram-na.

A extrema-direita é contra a retirada destas estátuas, o que tem causado alguma tensão racial, como se viu este mês em Charlottesville, Virgínia. Defensores da supremacia branca protestavam contra a decisão do autarca local de retirar outra estátua do general confederado Robert Lee e envolveram-se em confrontos com manifestantes contra o racismo e a supremacia branca. Dos incidentes resultaram três mortos.

A Confederação agrupou 11 estados do sul que se separaram dos Estados Unidos entre 1861 e 1865, em defesa de um modelo económico baseado na escravatura.

Uma maioria de norte-americanos vê as estátuas como a celebração de um passado racista, uma homenagem à confederação de Estados do sul, que desencadeou a guerra civil (ou da Secessão, 1861-1865) nomeadamente para defender a escravatura.

Outros defendem o direito do Sul à sua história e consideram que retirar os monumentos é como apagar uma parte da história norte-americana.

Alguns historiadores assinalam que muitos daqueles monumentos foram construídos durante a segregação racial ou em reação ao movimento dos direitos cívicos dos anos 1960.

O presidente Donald Trump mostrou ser contra a retirada destas estátuas. "Triste por ver a história e a cultura do nosso grande país em pedaços pela retirada das nossas magníficas estátuas e monumentos", escreveu Trump no Twitter.

Um relatório recente do Southern Poverty Law Center, organização especializada em direitos cívicos, revelou que ainda existem nos Estados Unidos mais de 1.500 símbolos confederados no espaço público, a maioria no sul.

A Confederação combateu a União (estados do norte) durante a Guerra da Secessão (1861-1865), que causou mais de 600 mil mortos

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