Jornalista que mostrava o lado feliz da Somália morre em ataque terrorista

Vivia no Canadá desde os seis anos, era divorciada e uma estrela nas redes sociais. Esperava o terceiro filho quando foi morta.

Hodan Nalayeh, de 43 anos, saiu da Somália aos seis anos com a família e emigrou para o Canadá, mas tinha como missão contar as histórias bonitas do país, conhecido sobretudo pelo drama da guerra civil e da fome. Grávida, foi uma das 26 vítimas mortais de um ataque terrorista, há dois dias, no hotel da cidade portuária de Kismayo, no sul da Somália.

Segundo a BBC, Nalayeh tinha como objetivo inspirar jovens somalis e ajudar a reconstruir o país e é por isso que a sua morte está a gerar uma onda de luto no país.

A jornalista e ativista tinha casado em novembro de 2018 com o seu segundo marido, Farid Juma Suleiman, um empresário e ex-ministro de Zanzibar, que também morreu no atentado terrorista, reivindicado pelo grupo al-Shabab. Segundo uma amiga, que partilhou a notícia da morte de Hodan Nalayeh, a jornalista estava grávida do seu terceiro filho.

No hotel onde decorreu o ataque estavam reunidos vários políticos regionais e líderes de clãs que discutiam as próximas eleições regionais.

Num post partilhado no Facebook, a família de Nalayeh descreveu a ativista como alguém que "passou a sua vida dedicada a servir o povo somali e a relatar histórias positivas e edificantes" com o objetivo de "espalhar luz e amor para o mundo somali".

Nalayeh nasceu na cidade de Las Anod, no norte da Somália, mas cresceu no Canadá depois de se mudar para lá com os pais e 11 irmãos quando tinha seis anos. Vivia na Somália desde o ano passado.

Os pais da jornalista recomeçaram a vida no Canadá com os 12 filhos e o pai, um ex-diplomata na Somália, trabalhou num parque de estacionamento para sustentar a família.

Em 2014, Nalayeh lançou a Integration TV, uma plataforma on-line voltada para a comunidade somali no Canadá e para a diáspora da Somália em geral.

"Se não nos tornarmos os criadores dos nossos próprios conteúdos, ficaremos à mercê de outras pessoas para contar as histórias de África", justificou a ativista e jornalista.

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