Iraque quer "reeducar" alunos e professores doutrinados pelo Daesh

Crianças eram ensinadas, por exemplo, a detonar cintos explosivos

As autoridades iraquianas planeiam "reeducar" estudantes e professores que estiveram submetidos à doutrina 'jihadista', durante o domínio do grupo extremista autodenominado Estado islâmico (EI), mas excluindo os mais radicais, afetos ao califado defendido pelo EI.

Ao longo de mais de dois anos, os 'jihadistas' forçaram os professores a ensinar a sua ideologia radical, sob ameaça de armas de fogo, em grandes territórios que dominaram no Iraque, país onde ainda resistem na cidade de Mossul ocidental e noutras localidades de menor dimensão.

Nestas escolas, o EI ensina as crianças a atirar e a detonar cintos explosivos e apela à violência.

Segundo testemunhos de civis de cidades libertadas, citados pela agência espanhola de notícias Efe, nos exercícios de aritmética, em vez de serem usados exemplos quotidianos, são apresentadas contas de adição de cadáveres de inimigos ou de subtração de munições.

Esta "lavagem cerebral" afetou tanto alunos como professores, por isso os responsáveis pela educação do país vão elaborar um plano global para a "reeducação", a ser desenvolvido em escolas primárias e secundárias, de acordo com o diretor do sindicato de professores na província de Nineveh, Raad al-Jubouri.

"O que eu vi em Mosul é que todos foram afetados pelas ideias do EI. Os professores precisam mesmo de trabalho psicológico e de reabilitação", disse Al Jubouri.

Os responsáveis pela educação já estão a preparar formações para o corpo docente, mas ainda há medidas em estudo, segundo o líder do sindicato.

Em maio vai realizar-se uma conferência em Bagdade para encontrar soluções e financiamento para os problemas da educação, que se verificam nas províncias de Saladino, Al Anbar e Nínive, onde os extremistas do EI chegaram em 2014.

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