Trump revela por acidente localização e identidades de força especial dos EUA

Presidente norte-americano colocou no Twitter um vídeo da sua visita ao Iraque. Nas imagens pode ver-se um grupo de militares que os especialistas identificam como elementos das forças especiais dos EUA

O presidente norte-americano Donald Trump divulgou um vídeo da sua visita ao Iraque, na quarta-feira (dia 26), em que surge junto de militares que farão parte dos Navy Seals. A confirmar-se que estes militares são efetivamente da equipa de operações especiais, trata-se de uma quebra de segurança importante, pois a localização dos militares desta força especial norte-americana nunca é revelada.

No vídeo, colocado na rede social Twitter, Trump surge ao lado de vários soldados que, segundo a revista Newsweek, farão parte da Seal Team Five e os seus rostos não foram cobertos.

De acordo com a revista, fonte oficial do departamento de Defesa dos EUA frisou que as informações sobre a localização das equipas Seal - uma das principais forças especiais norte-americanas - é sempre mantida em segredo, sendo que Donald Trump, como comandante supremo das forças armadas, tem a autoridades para desclassificar todas as informações. Porém, os rostos dos militares são tapados em todas as fotos e vídeos oficiais de forma a proteger as suas identidades.

Em declarações à NBC News, o gabinete do Secretário da Defesa garantiu que nenhuma regra de segurança tinha sido violada: "Os operacionais participaram voluntariamente neste evento aberto à imprensa." Trump tirou uma selfie com o tenente da marinha Hyu Lee, que disse ser o capelão do Seal Team Five, equipa que está sediada no Coronado (Califórnia).

O presidente norte-americano colocou o vídeo no Twitter depois de o Air Force One - o avião presidencial - ter deixado o espaço aéreo iraquiano após uma visita surpresa às tropas que estão colocadas na Base Aérea Al Asad, a oeste de Bagdad. Nesta deslocação, que durou três horas, esteve acompanhado pela mulher, Melania.

"Foi uma honra para mim e para Melania visitar as nossas incríveis tropas na Base Aérea de Al Asad, no Iraque. Deus abençoe os EUA", escreveu Donald Trump no Twitter.

Malcolm Nance, que trabalhou na inteligência naval dos EUA, disse à Newsweek que o vídeo revela uma quebra de protocolo, pois geralmente a identidade dos elementos das forças especiais é protegida, principalmente quando estão em zonas de combate.

"A segurança operacional é o aspeto mais importante da colocação das pessoas. Os nomes, rostos e identidades do pessoal envolvido em operações ou atividades especiais são geralmente um segredo bem guardado numa zona de combate", disse. "Revelá-los, através de uma exposição incomum nos media, mesmo que seja o comandante supremo, provocaria um aumento da propaganda se qualquer um desses elementos fosse detido por um governo hostil ou capturado por um grupo terrorista. Não haveria hipótese de negar quem você é ou o que faz", concluiu.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?