Trump reúne-se com militares e fala da "calma antes da tempestade"

O presidente Donald Trump esteve reunido com as chefias militares na Casa Branca para discutir a questão dos programas nucleares da Coreia do Norte e do Irão.

O encontro do presidente dos Estados Unidos com os principais responsáveis militares, além do conselheiro de segurança nacional tenente-general H.R. McMaster que, ao contrário do habitual, envergava uniforme, e do seu chefe de gabinete, general John Kelly, decorreu na madrugada de sexta-feira (hora portuguesa) e sucedeu pouco depois de uma fonte da Casa Branca ter indicado que na próxima informação de Trump ao Congresso, a suceder dia 15, sobre se o Irão estar a cumprir o estipulado no acordo sobre o seu programa nuclear, irá dizer que Teerão não o está a fazer.

Legislação do Congresso obriga o chefe de Estado norte-americano a certificar, de 90 em 90 dias, se o Irão está a respeitar o acordo e se o fim das sanções corresponde ao interesse nacional dos EUA. O Irão e restantes signatários (China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) defendem o acordo para garantir o caráter pacífico do programa nuclear iraniano e, até agora, Trump tem certificado o seu cumprimento do acordo, mas a declaração feita nesta quinta-feira de que o regime de Teerão não está a respeitar o "espírito" do documento deixa em aberto a possibilidade de o presidente americano se pronunciar em sentido oposto ao seguido até agora.

Numa primeira reação às palavras de Trump sobre o acordo com o Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, disse esperar que o presidente americano se pronuncie de forma "equilibrada", de forma a preservar o acordo "na sua presente forma".

Ainda em campanha, Trump classificara o acordo como "embaraçoso" para os EUA e o "pior acordo alguma vez negociado". Se o presidente considerar que o Irão não está a cumprir o acordo, o Congresso tem 60 dias para decidir se volta a aplicar as sanções que foram suspensas após a assinatura daquele documento.

Após o encontro com os responsáveis das forças armadas, Trump posou para uma fotografia com eles, suas mulheres e a primeira-dama Melania, tendo declarado aos jornalistas que aquele era "talvez" o momento "da calma antes da tempestade".

Perguntado a que tempestade se referia, Trump limitou-se a dizer que "vão ver". A Casa Branca não forneceu quaisquer esclarecimentos posteriores sobre o significado das palavras do presidente.

Num momento da reunião com as chefias militares aberta à imprensa, Trump pronunciou-se sobre o acordo sobre o nuclear do Irão, declarando que este país não está a "cumprir o espírito" do acordado enquanto sobre a Coreia do Norte disse que "o objetivo é a desnuclearização" do regime de Pyongyang.

Para Trump é inadmissível que "essa ditadura ameace a nossa nação ou os nossos aliados (...). Faremos aquilo que for necessário para o impedir".

Noutro momento da reunião, ainda na presença de jornalistas, o presidente dos EUA declarou, de forma enfática, "espero que me apresentem um vasto leque de opções militares, quando necessário, e que o façam depressa. Sei que a burocracia governamental é lenta, mas estou a contar convosco para ultrapassar esse obstáculo".

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