Jovem indiana foi violada duas vezes pelo mesmo grupo

Três anos depois da primeira agressão a jovem foi "punida" por insistir na acusação em tribunal. Os protestos multiplicam-se na Índia

Uma estudante universitária indiana afirma ter sido violada uma segunda vez pelos mesmos cinco homens, que, há três anos, a tinha atacado. Os homens terão ainda tentado estrangular a jovem, que foi deixada gravemente ferida nuns arbustos, na passada quarta-feira, na cidade de Rohtak, no norte da Índia. Até ao momento, as autoridades indianas ainda não detiveram nenhum dos indivíduos implicados.

"Estava a sair da faculdade, quando os vi. Eram cinco homens. Fiquei com muito medo", relata a mulher que foi levada para o hospital por uma pessoa que passou na rua. Os homens, cujas idades variam entre os 20 e os 29, são antigos alunos da mesma instituição universitária que a vítima frequenta, informa o The Times of India.

Em 2013, a jovem tinha processado estes mesmos homens pela prática de um crime semelhante, tendo, na sequência, recebido ameaças dos agressores, às quais a polícia parece não ter dado resposta (a segurança da jovem não foi reforçada).

A mulher, que pertence a uma casta conhecida como "os intocáveis", terá sido mesma forçada a mudar de casa (o primeiro crime aconteceu numa cidade a oeste de Rohtak), mas não conseguiu impedir a aproximação dos alegados criminosos. A violação da semana passada terá sido, segundo conta a família da jovem, o castigo pelo caso em tribunal contra os três agressores que, há três anos, não foram detidos e pela nova detenção dos dois outros, que entretanto haviam sido libertados sob fiança.

De acordo com as estatísticas citadas pela BBC, a cada 15 minutos é registada uma violação na Índia. Apesar das medidas legislativas que o país tem adotado, o tratamento desses casos ainda é feito de forma deficiente.

Entretanto, protestos inflamados pela detenção imediata dos homens acusados têm tido lugar em Rohtak.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?

Premium

Catarina Carvalho

O populismo na campanha Marques Vidal

Há uma esperança: não teve efeito na opinião pública a polémica da escolha do novo procurador-geral da República. É, pelo menos, isso que dizem os estudos de opinião - o número dos que achavam que Joana Marques Vidal devia continuar PGR permaneceu inalterável entre o início do ano e estas últimas semanas. Isto retirando o facto, já de si notável, de que haja sondagens sobre este assunto.