Suécia volta a enviar exército para a ilha de Gotlândia, no Mar Báltico

A medida estava decidida pelo parlamento desde 2015 mas o destacamento militar foi antecipado um ano

A Suécia enviou esta quarta-feira um destacamento militar permanente para a ilha da Gotlândia, no Mar Báltico, o que ocorre pela primeira vez desde 2005 e coincide com um debate interno sobre as capacidades da defesa sueca face à Rússia.

A medida foi decidida pelo parlamento em 2015, mas o destacamento só estava previsto para daqui a um ano.

"A situação geopolítica deteriorou-se com o tempo e decidi que precisamos de uma presença permanente, por isso adiantámos o calendário para as tropas de combate", disse à televisão pública sueca SVT o comandante supremo das Forças Armadas, Micael Byden.

"Não pensamos que haja uma ameaça de ataque, estamos apenas a reafirmar a soberania sueca, a enviar um sinal de que a Suécia responde à situação de segurança existente. Assistimos à anexação da Crimeia e ao aumento da pressão sobre os países bálticos", disse o ministro da Defesa, Peter Hultqvist.

O primeiro destacamento é constituído por 150 soldados de infantaria, que serão substituídos em julho de 2017.

Em junho de 2015, o centro de reflexão norte-americano Cepa publicou um relatório segundo o qual a Rússia fez exercícios militares com 33.000 tropas simulando uma invasão da Gotlândia, a maior ilha sueca, com cerca de 60.000 habitantes, e de outros locais.

Cerca de um ano antes, no outono de 2014, as autoridades suecas denunciaram a presença de um submarino nas suas águas, sugerindo sem o referir que era russo, embora meses mais tarde tenham descartado a prova principal, que eram fotografias tiradas por particulares.

Na altura o Governo sueco desvalorizou o relatório mas, em junho de 2015, o Ministério da Defesa propôs, e o parlamento aceitou, reforçar a defesa para "preparar a Suécia para a guerra".

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