EUA impõem sanções à Rússia pelo envenenamento de antigo espião

EUA associam-se aos seus aliados europeus nas represálias pelo envenenamento de Sergei Skripal no Reino Unido. Os mercados financeiros russos estavam esta quinta-feira em baixa e o rublo caiu para níveis mínimos de dois anos face ao dólar

Os Estados Unidos vão impor sanções à Rússia pelo uso de um agente neurotóxico (Novichok) na tentativa de homicídio por envenenamento de um antigo espião russo e da sua filha no Reino Unido, noticiou a Associated Press (AP).

O Departamento de Estado norte-americano indicou esta quarta-feira que as sanções vão ser impostas à Rússia pelo uso de uma arma química, violando a lei internacional.

O antigo espião russo Sergei Skripal e a sua filha Yulia foram envenenados em março com Novichok, um agente neurotóxico de uso militar, em Salisbury, no Reino Unido.

A Rússia foi acusada pelo Reino Unido de ser responsável pelo ataque, algo que o Kremlin nega veementemente.

Desde março, dois outros cidadãos britânicos sem ligações à Rússia foram envenenados com a mesma substância.

Depois de decorrido um período de 15 dias para notificação, as sanções vão ter efeito por volta de 22 de agosto, de acordo com um comunicado do Departamento de Estado citado pela AP.

O envenenamento dos Skripal causou uma crise diplomática entre Londres e Moscovo, pois o governo britânico decidiu expulsar vários diplomatas russos, medida seguida pela Rússia, que exigiu a saída de diplomatas britânicos do país.

Além disso, vários países ocidentais expressaram solidariedade com o Reino Unido e tomaram medidas semelhantes.

O Reino Unido acusou diretamente a Rússia do envenenamento dos Skripal, depois de uma investigação que identificou o Novichok como uma substância de fabrico militar russo.

Os mercados financeiros russos estavam esta quinta-feira em baixa e o rublo caiu para níveis mínimos de dois anos face ao dólar, depois dos Estados Unidos terem imposto novas sanções contra a Rússia.

Depois de uma primeira derrocada na quarta-feira provocada por rumores de novas sanções, o anúncio de Washington de medidas punitivas associadas ao envenenamento com o agente 'Novitchok" no Reino Unido provocou uma forte baixa dos dois principais índices da Bolsa de Moscovo.

Assim, depois de uma primeira queda na quarta-feira, o dólar ultrapassou hoje 66 rublos pela primeira vez desde novembro de 2016 e o euro passou a barreira dos 77 rublos pela primeira vez desde abril deste ano.

Em relação aos principais índices da bolsa russa, cerca das 8:45 em Lisboa, o RTS caia 3,20% e o Moex recuava 1,16% devido principalmente à queda, de 10,59%, da companhia aérea semipública Aeroflot, que a administração Trump deverá proibir de voar para os Estados Unidos, segundo os media norte-americanos.

Os bancos também estavam em baixa, designadamente o semipúblico Sberbank, que perdia 4,72%.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.