Macron diz que França "atacará" a Síria em caso de provas sobre uso de armas químicas

"A linha vermelha será respeitada", disse o presidente francês

O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou perante a Associação de imprensa presidencial, que "a França atacará" caso obtenha "provas consistentes que armas químicas proibidas foram utilizadas contra civis" na Siria.

"Atacaremos o local onde são feitos ou onde são organizados esses ataques. A linha vermelha será respeitada", disse o Presidente. "Mas hoje não temos a prova estabelecida pelos nossos serviços que armas químicas proscritas pelos tratados internacionais foram utilizadas contra as populações civis", acrescentou.

"A partir do momento em que a prova seja estabelecida, farei o que disse", preveniu, apesar de sublinhar que "a prioridade é a luta contra os terroristas, os 'jihadistas'".

"Saberemos caracterizar as coisas antes do final do conflito", referiu Macron numa referência ao regime sírio.

O inquilino do Eliseu também sugeriu a organização de uma reunião internacional sobre a Síria, se possível "na região", adiantando que fez "diversas propostas" e que não esta "obcecado em fazer uma reunião sobre a Síria em Paris".

Em 29 de maio de 2017, ao receber o seu homólogo russo Vladimir Putin em Paris, Emmanuel Macron declarou que "qualquer utilização de armas químicas" na Síria implicaria uma "resposta imediata da França".

Segundo Washington, pelo menos seis ataques com cloro foram assinalados desde o início de janeiro nas zonas rebeldes, com dezenas de casos de feridos. No final desse mês o regime sírio desmentiu ter utilizado armas químicas e Moscovo, aliado de Damasco, denunciou por sua vez uma "campanha de propaganda", sublinhado que "os autores não foram identificados".

Em paralelo, e no mesmo encontro, Macron desejou que o serviço nacional universal seja "obrigatório" e se prolongue "por volta de um trimestre", ou de "três a seis meses".

Este serviço, que poderá incluir uma parte "cívica", "terá um custo mas não penso que seja proibitivo. (...) Desejo um serviço obrigatório, aberto às mulheres e aos homens" que possa implicar "uma abertura sobre a coisa militar" mas "cuja forma poderá ser cívica".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?