PT teme que Lula seja envenenado na prisão

Partido vai pedir comida especial e presença de segurança em Curitiba. Apreensão resulta do clima de ódio contra o ex-presidente.

O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao Ministro da Segurança Pública que Lula da Silva usufrua de cuidados especiais na confeção das suas refeições na cadeia de Curitiba por temer envenenamento. Para sustentar o pedido a Raul Jungmann, o PT cita o clima de ódio contra o antigo presidente ilustrado, por exemplo, numa gravação durante o seu transporte no sábado de São Paulo para a capital do Paraná, quando começou a cumprir pena de prisão.

Nessa gravação, da Força Aérea Brasileira, uma voz masculina ainda não identificada diz "manda esse lixo pela janela abaixo". Imediatamente é interrompida por uma voz feminina que assinala que as conversas são gravadas e que todos se devem limitar à fraseologia-padrão. Segundo a Força Aérea, o comentário foi efetuado ou da Torre de Congonhas, em São Paulo, ou da Torre de Bacacheri, em Curitiba. Antes ainda de Lula ser preso, dois autocarros da sua comitiva em viagem de pré-campanha foram atingidos por tiros quando circulavam, precisamente, no Paraná. Além desse pedido, o PT quer que Lula seja transferido para São Paulo e que tenha direito a um segurança em permanência a seu lado.

Jungmann ainda não se pronunciou mas os primeiros sinais dados pelo governo de Michel Temer são em sentido contrário: vai suspender o pagamento aos seguranças e motoristas a que Lula tinha direito na qualidade de antigo presidente.

O PT, fundado em São Paulo e com sede em Brasília, reuniu-se na segunda-feira em Curitiba e já estabeleceu piquetes na cidade: deve ter sempre dirigentes nacionais na cidade, além dos cerca de 500 militantes que acampam em redor do edifício da polícia.

Outro temor dos apoiantes de Lula é que ele entre em depressão. Habituado a falar de manhã à noite, não apenas desde que é político mas logo na infância com sete irmãos, o político abdicou do banho de sol no primeiro dia preso, refugiando-se na cela a ler A Elite do Atraso - da Escravidão à Lava-Jato, do sociólogo Jessé Souza.

O juiz da Lava-Jato Sérgio Moro, que permitiu que Lula tivesse acesso a televisão na cela e com isso assistisse no domingo a mais uma conquista do Corinthians, o seu clube, ainda estuda a política de visitas ao antigo presidente. Na lista para abraçá-lo já estão José Mujica, ex-presidente uruguaio, e o argentino Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz em 1980 que lançou petição para que Lula vença o prémio neste ano.

Entretanto, um juiz de Brasília aceitou denúncia por organização criminosa contra quatro dirigentes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) - o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, os ex-ministros do atual governo Henrique Alves e Geddel Vieira Lima, o ex-assessor especial da presidência Rocha Loures - e dois amigos pessoais de Temer.

São Paulo

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